Uma cesárea humanizada

Depoimento da Mãezíssima Dani Berbel sobre o nascimento do Miguel e como é possível viver uma cesárea humanizada.

Uma cesárea humanizada
Criar e Educar
24 de outubro de 2013

Minhas duas gestações foram planejadas e toda trajetória super saudável e normal. Nunca tive infecção nenhuma e sempre na minha carteirinha estava escrito “boa evolução”. Cesárea nunca foi uma opção pra mim, sempre fui militante do parto normal, professora de dança, estudante do corpo. Mas confesso que faltou informação na minha primeira gestação. Manoela ficou dentro de mim mais de 40 semanas e chegou com a placenta grau 3. Cheguei a entrar em trabalho de parto e assim fiquei por quase 20 horas. Na hora que o bicho pegou minha obstetra chegou na maternidade, me anestesiou e tirou a Mano de mim.

Depois disso comecei a embebedar de todas informações sobre parto, gestação e assim segui nos 5 anos que separaram o nascimento da Mano do Miguel. Muito antes de engravidar comecei a buscar a equipe e por muita força do destino todos os caminhos me levaram a doula Patrícia Bortolotto e Dr. Carlos Miner Navarro.

Diu tirado, filho fecundado e lá vamos nós pra uma gestação linda, saudável , tranquila de quase 41 semanas e uma mãe mais experiente, com a total e absoluta certeza de que seu filho nasceria da forma mais natural possível, na água, sem analgesia, praticamente um parto orgástico.

Cesárea humanizada

Dani – Cesárea Humanizada

Quando completamos 40 semanas a eco apontou tudo lindo saudável e um bebê de mais de 3 kg. Numa terça feira, no final do dia, fomos a livraria com a Manoela e comecei a sentir as primeiras contrações, tenho quase certeza de ser uma fase latente. Falei com a Pati que me disse para comer, tomar banho quentinho e dormir. Assim fui e com aquele frio na barriga pensei que acordaria pronta pra maternidade. Mas as contrações pararam e assim foi no decorrer da quarta feira.

Na quinta-feira fui a uma consulta com o Dr.Carlos. Quando ele me examinou com seu aparelho de eco já achei alguma coisa diferente porque ele ficou sério e demorou. Então sentamos e com a voz calma falou que achou que tinha pouco líquido, mas que isso não era indicação de cesárea e me mandou fazer outra eco naquela tarde com um dopler.

Lá fomos eu e Oda, meu marido, tomar um chá de cadeira na clinica até que algum encaixe me tirasse aquele frio na barriga que me fazia pensar com toda minha força “cesárea não, cesárea não…” A tal eco que dizia com palavras técnicas “seu filho está bem, mas não tem nenhum líquido aqui”.  De volta ao consultório, o Dr. Carlos explicou que eu não perdi o liquido, meu corpo não deu conta de repor e por ele ter parado de produzir é o problema. Falei “tá e dai?” E ouvi o que não queria ter ouvido: CESÁREA!

Meu mundo caiu, literalmente.

 A Pati falou pra eu contar pro Miguel o que iria acontecer com ele, para preparar e explicar que alguém iria tirar ele de mim. Eu tentava contar e explicar que ele não sairia normalmente e caia no choro. Acho que a única a dar pulos de alegria, beijar a barriga era a Manoela, então pedi pra ela explicar pro Miguel o que iria acontecer com ele e lembro dela sussurrando no meu umbigo “Mano, você vai nascer pela barriga como eu. A mamãe queria que fosse pela perereca, mas a gente é mamo, toca aqui!” Quase ri com a alegria dela.

dani cesárea humanizada

Miguel

Aí, já que ia ser cesárea, que seja uma cesárea humanizada. Lá foi a Pati, minha doula, e o Dr. Carlos trocar a maternidade de última hora pra gente garantir um pediatra que iria deixar o Miguel comigo e com o mínimo de interferências possíveis. Eu queria que o cordão não fosse cortado antes de parar de pulsar, queria um lugar mais escurinho e silencioso, queria ele no meu peito ao nascer e não com as famosas interferências não necessárias no primeiro minuto de vida.

E assim, no dia 27 de abril de 2012, às 11:44 da manhã de uma sexta-feira ensolarada, nasceu MIGUEL BERBEL GOMES, cercado de muito amor e respeito, com a irmã dele dando pulos de alegria, a avó também. O papai mais babão que ficou com ele do momento que saiu da barriga até eu ir para o quarto e deixar ele pendurado na teta. Sim, ele chegou antes que eu no quarto.

Senti invadida com todo procedimento cirúrgico, fiquei triste naquela maca como quem vai para a pena de morte. Mas no momento que eu vi o Miguel meu coração se encheu de amor. Ele é lindo, saudável e a coisa mais amada do mundo.

Contei com o total apoio da Pati, minha doula querida que me apoiou, me acalmou e garantiu que Miguel nascesse cercado de respeito. Ela e eu temos um palpite: meu trabalho de parto parou porque meu corpo tentou proteger o Miguel, e conseguiu, porque mesmo sem ter nenhum líquido, nenhum vernix, com o cordão fininho ele nasceu lindão e saudável. Mas isso nunca teremos certeza.

Dani Berbel

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