Como ajudar seu filho na fase da pré-alfabetização

Como os pais podem contribuir quando se inicia o processo de entender as letras e as palavras. Brincadeiras, atividades e apoio. 7 Dicas para ajudar os pais nesse processo!

Como ajudar seu filho na fase da pré-alfabetização
Criar e Educar,  Especial
14 de abril de 2016

Depois da educação infantil, as crianças passam para um nova fase na vida escolar: o ensino fundamental. Com ele chega também o maior desafio dessa etapa: a pré-alfabetização. Essa nova fase começa quando a criança completa 6 ou 7 anos, mas também é fruto de um processo onde a família pode contribuir e muito para que a criança tenha tranquilidade nessa etapa.

Conversamos com nossas parceiras do espaço Mediação, as psicopedagogas Michelle Klaumann e Danielle Gross de Freitas. Elas prepararam 7 dicas para famílias com crianças na fase da pré-alfabetização. Tenho certeza que essas informações irão te ajudar. Leia, comente e compartilhe:

Leia mais: Vídeo: Como perguntar sobre o dia na escola?

Idade escolar: Quando colocar os filhos na escola?

Alfabetização precoce, por que esse não é um bom caminho?

7 Dicas para ajudar na pré-alfabetização

alfabetização

 

 

1 – Não assuste seu filho com o ensino fundamental.

A primeira mudança significativa na vida das crianças é a passagem da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, que socialmente marca a necessidade de transformações na vida dos pequenos. Algumas vezes acarretam inclusive a mudança de escola, o que exige ainda maior adaptação por parte deles. Aqui a dica é não pressionar as crianças, assustando-as com falas do tipo “ano que vem vai ser tudo diferente, você vai ter que entrar nas regras e estudar muito para aprender a ler e escrever”. O ideal é que a conversa seja no sentido de incentivar seu amadurecimento, por exemplo: “puxa, você já está perto de fazer 6 anos (ou já tem 6 anos), então, no próximo ano novidades muito interessantes vão surgir na escola, você vai começar a descobrir as letras, as palavras e muitos outros conhecimento que crianças nessa idade adoram”.

2 – Conheça a metodologia da escola e caminhe no mesmo rumo.

Quando o ano se inicia a principal atitude dos pais é conhecer a metodologia da escolhida quanto ao processo de alfabetização. Há maneiras diferentes de se alfabetizar as crianças, alguns deles vamos resumir a seguir.

Aquela maneira como a maioria de nós estudou, o método tradicional alfabético, em que a Cartilha “Caminho Suave” foi grande instrumento de apoio, onde se memorizava letras, primeiramente vogais e depois consoantes, e depois de trabalhava as famílias silábicas para então se formar palavras.

O método fônico é utilizado em muitas escolas e seu principal conceito é no aprendizado através da associação entre sons e letras. Aprende-se a codificar a fala em linguagem escrita e a decodificar a escrita através da linguagem oral e do pensamento. Utilizam-se atividades lúdicas para facilitar as associações necessárias, bem como palavras significativas, imagens, personagens e histórias.

O uso do método construtivista vem se ampliando cada vez mais por se tratar de um método que se preocupa com o todo e não com partes das palavras. As crianças são motivadas a escrever o que desejam, sem se preocupar com regras ortográficas e sintaxe perfeita, de maneira que produzam pequenos textos que lhe façam sentido. À medida que vão realizando tentativas de escrita ou leitura, deparam-se com desafios, e então o mediador lança mão de instrumentos didáticos para que as crianças busquem solução para seus problemas, sem soletrar letras, treinar repetição de sílabas, por exemplo.

Feito isso, o ideal é seguir as orientações da escola a partir do seu método. Se a escola oferece o método construtivista, as intervenções em casa, por exemplo, não podem ser de soletração de letras, mas de apoio às crianças para perceberem outras palavras escritas com o mesmo som que inicia a palavra que se deseja escrever, por exemplo. Não se trata de conhecer profundamente o método, mas entender as práticas da escola para que em casa o caminho seja convergente e a criança aproveite melhor todos os estímulos oferecidos.

3 – Acompanhe as lições de casa, mas não faça por ele.

De forma geral, durante as lições de casa, o apoio do adulto será quanto à leitura dos enunciados e apoio no entendimento do que é para ser feito. Quando o assunto é executar a lição, deixe que seu filho faça com autonomia, e coloque no papel as suas próprias tentativas, sem interferência sua. Não se deixe levar pela ideia de que a criança tem que levar a lição inteiramente correta para a escola, é importantíssimo para os professores entenderem as dificuldades apresentadas pela criança em casa. Então: não faça pelo seu filho!

escola

4 – Respeito o processo. Não exija perfeição.

É importante entender que nessa fase de alfabetização os filhos passarão por um processo de elaboração de conceitos e competências anteriores ao processo de escrita alfabética e ortograficamente correta, forma esperada e aceita socialmente. Esquecer letras, inverter sílabas, colocar letras a mais, trocar letras de alguns sons, tudo isso é perfeitamente aceitável durante esse processo de aprendizagem. Não há necessidade de correção quanto a esses elementos por parte das famílias, então evite, pois seu papel é encorajá-los a tentar escrever, corrigir demasiadamente pode causar insegurança e medo nas crianças.

5 – Nunca é cedo demais para incluir seu filho no mundo da literatura

Tudo o que falamos até aqui tem a ver com o processo formal da aprendizagem durante o processo de alfabetização, no entanto as famílias devem priorizar um outro lado com o intuito de colaborar com esse processo.  Inserir as crianças no mundo letrado é algo que pode e deve ocorrer desde o nascimento dos pequenos, e isso ajudará e muito para o desafio da alfabetização.

Leitura diária para a criança é algo imprescindível! Essa simples atitude, além de estimular uma série de outras habilidades no âmbito da imaginação e criatividade, desperta o interesse de a criança almejar fazer a própria leitura, e não somente escutá-la. À medida que vão reconhecendo letras e palavras, é muito legal solicitar que façam a leitura daquela palavra específica quando ela aparecer no livro. Elas se sentem muito capazes!

pai lendo

Imagem: Cine Roll

6 – Inclua brincadeira com as letras no dia a dia em família

Brincadeiras com letras e palavras. Alfabeto móvel em madeira, E.V.A. ou até mesmo em papel são materiais interessantes de se ter em casa para brincar. Mas é brincar mesmo! Nada de fazer os momentos de diversão algo angustiante para as crianças. Começar identificando a letra do nome dos familiares para ajudar na memorização do nome dessas letras ajuda muito. Mostrar para as crianças que a inicial do nome dela é a mesma de algum parente, amiguinho ou personagem de sua preferência e montar os nomes para ela apreciar. Brincadeiras com as letras e palavras através da linguagem oral também são muito animadoras para as crianças, tais como: brincar de cada membro da família falar uma palavra que comece com determinada sílaba (por exemplo: escolhe-se BA, na vez de cada um alguém fala algo que venha a cabeça, como BAnana, BAbador, BAhia, BArco); ou em nível mais avançado, cada membro da família fala uma palavra com a sílaba final da palavra anterior (por exemplo: a primeira palavra escolhida é LUVA, o próximo que estiver na vez deverá falar uma palavra que inicie com VA, como VAca, o próximo uma palavra que comece com CA, como CAsa, e assim por diante…).

Apoiar-se em rótulos e placas para estimular o interesse das crianças e motivá-las a tentar ler cada vez mais. Quando leem rótulos já conhecidos e memorizados se sentem leitoras e isso só as encoraja mais. Não vale ficar pressionando para que tente ler todas as placas da rua quando estão passeando, mas chamar atenção para algumas delas, estabelecer relação com a letra de seu nome, evidenciar quando encontrar nome de algum comércio com o mesmo nome de algum familiar. São práticas que vão abrindo espaço para o interesse da criança vir à tona.

Brincadeiras com parlendas, trava-línguas e adivinhas. As crianças se encantam! Há muitos vídeos na internet e também livros que trazem esses elementos. Além de nossa memória cultural não é? Quem não lembra do trava-língua “três tigelas de trigo para três tigres tristes” que brincávamos em nossa infância? E das parlendas que usávamos para escolher a vez do jogador em uma brincadeira “em cima do piano tem um copo de veneno, quem bebeu morreu, o culpado não fui eu, foi aquele que bebeu”? Essas brincadeiras ajudam na marcação de algumas letras, sílabas e rimas que poderão ajudar nas tentativas de escrita das crianças.

Inserção de práticas de escrita envolvendo a criança na rotina da família. Solicitar ajuda do filho para escrever a lista do mercado da semana, deixar um bilhetinho para o pai que chegará mais tarde naquele dia, convidar a criança para ajudar a escrever o e-mail para a tia que mora em outro estado, deixar que a própria criança faça seu convite de aniversário para entregar aos colegas e família. Todas muito boas ideias e muito simples de se inserir na rotina, não é mesmo?

7 – Cada criança tem seu tempo. Não compare, não fique ansioso, respeite.

E sempre: não permita que sua ansiedade prejudique o processo de seu filho e evite as comparações, porque sim, cada criança alfabetiza-se em seu tempo. E claro, valorize cada momento de escrita de seu filho e vibre com ele diante de cada etapa alcançada. Sabemos que não há fórmula para o sucesso, mas algumas dessas dicas poderão ajudar um pouquinho do dia-a-dia.

Dia dos Pais

Tem alguma dúvida ou sugestão sobre esse assunto? Escreva para nós que faremos de tudo para ajudá-la. 

 

espaço mediação logoMichelle Klaumann e Danielle Gross de Freitas – psicopedagogas do Espaço Mediaçãocontato@espacomediacao.com.br

 

 

 

posts relacionados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *