Como se defender da Violência Obstétrica?

Saiba como se defender da violência silenciosa que vitima mulheres e bebês na hora do parto.

Como se defender da Violência Obstétrica?
Criar e Educar
19 de novembro de 2013

O parto como evento médico hoje, em muitos casos é resumido na mecânica extração de um produto (um bebê) do corpo de uma mulher, o que para ser eficaz deve levar o menor tempo possível.

É muito comum mulheres serem persuadidas à cesárea ao longo do pré-natal. Inclusive existe um número enorme de indicações médicas estapafúrdias . No texto da Dra Melania Amorin existe uma lista dessas falsas indicações, aposto que você já ouviu isso várias vezes durante a sua gestação. Entre elas está: bebê muito grande, bebê pequenos, cordão, bebê engolindo o líquido amniótico.

Nesse ponto é importante dizer que não nos referimos às mulheres que devidamente informadas dos riscos de um processo cirúrgico em relação ao parto normal realmente escolhem a cesariana. Estamos falando de  mulheres que são induzidas ou coagidas a aceitar que seu bebê seja extraído de seu corpo por uma cirurgia abdominal de grande porte, sem que houvesse real necessidade e real direito de escolha. Isso é violência obstétrica e caracteriza falta de ética médica, omissão de informação e desrespeito à autonomia da mulher. 

gesto de amor

Imagem: Gesto de amor

De outro lado do sistema há mulheres que entram em trabalho de parto, mas sofrem tanta intervenção médica dentro das instituições para “acelerar” o parto, que  ele deixa de ser natural e se transforma numa verdadeira iatrogenia (efeitos adversos ou complicações resultantes do tratamento médico). O parto normal vira um evento traumático, quando não acaba também em cesárea. E tudo isso regado com boas doses de violência física ou psicológica (detalhes de violência obstétrica).

Como se defender da violência obstétrica

Mas essa triste realidade pode mudar. Existe um caminho para diminuir os riscos de ter seu parto roubado e se defender da violência obstétrica.

1 – Em primeiro lugar é fundamental que as mulheres e os companheiros se informem, estudem sobre o processo fisiológico do nascimento, entendam as etapas do trabalho de parto e como funciona o corpo feminino neste processo. Em Curitiba existem excelentes grupos de apoio à gestação que explicam o que nenhum obstetra explica (veja em Movimento Pelo Bem Nascer)

2 – Depois, a partir deste conhecimento é preciso avaliar  a conduta do profissional de saúde que acompanha a gestante, para saber se ele é realmente confiável para realizar o parto. Os grupos de apoio dão dicas sobre os profissionais, informe-se, pesquise e pergunte a outras gestantes que tiveram parto com ele. Não exite em mudar se for necessário.

3 – E finalmente, escreva um plano de parto e protocole antecipadamente na maternidade em que pretende parir e também junto ao médico. O plano de parto especifica o tipo de parto desejado pela mulher, o direito ao acompanhante, os procedimentos que ela aceita ou não que sejam realizados de forma rotineira e a necessidade de prévio consentimento no caso de alterações imprevistas. Se o profissional é confiável, irá assinar que recebeu e concorda com o seu plano de parto. Se ele se recusar a assinar, desconfie. Exija uma resposta formal da maternidade também.

O parto é da mulher, do bebê e da família. Um momento único e especial,  que não se repete para o bebê e por isso merece ser vivido de forma plena e personalizada (e não por isso menos segura) por essa família. Diga não à violência obstétrica.

No próximo post vamos falar sobre plano de parto. Acompanhe, mande suas dúvidas e sugestões. 

SABRINA FERRAZ é Advogada.  Casada, mãe de 02 “filhas únicas”  pois, diferem 19 anos. “Me reinventei com a segunda gravidez e optei por um parto domiciliar. Com isso descobri uma nova realidade, cuja mudança se inicia no direito de dar à luz e de nascer de forma digna. Tornei-me ativista pela humanização e criei o grupo Direito ao Parto, que luta pelo respeito e acolhimento das mulheres e das famílias.”

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