Limites, Respeito e Superação

Como diferenciar o limite que pode ser superado daquele que não? A psicopedagoga Isabel Parolin fala para o Mãezíssima sobre esse importante tema

Limites, Respeito e Superação
Criar e Educar
27 de março de 2014

Vivemos numa sociedade que reverencia as pessoas que superam os limites. Somos insistentemente convidados a superar os limites do tempo, do espaço, do conhecimento, do corpo e da mente. Contudo, como num compasso dissonante, essa mesma sociedade ignora que a superação não pode ser empreendida nem pelo desejo do outro, nem tampouco por estímulos externos.

A superação acontece a partir dos movimentos de autoconhecimento e da apropriação do conhecimento que a sociedade produz e disponibiliza em dado momento histórico. Dito de outra forma, o sujeito necessita ser educado com o objetivo de atingir a desenvoltura social. Nessa direção, quanto mais uma pessoa se conhece, mais ela se envolve com os conhecimentos, as ciências e os conhecedores, dando significado e sentido aos seus desejos, produzindo a energia e a adequada estratégia para a superação dos limites, tanto os que a vida impõe, quanto os que intenta ou vislumbra superar.

Qual a boa medida educativa? Como os educadores, quer sejam professores ou pais, podem mediar, de forma exitosa, essa odisseia? Quando, quem, como e onde um limite pode ser superado? Como diferenciar o limite que pode ser superado daquele que precisa ser respeitado?

superação

Evary Leal

A história tem nos mostrado que essa relação, além de complexa, está relacionada às medidas, nada exatas, do olhar de um determinado sujeito, numa específica situação.(?!)

Aprender é superar um estágio de desenvolvimento a caminho de outro mais complexo. A pessoa, na trajetória de aprender, coloca em jogo sua história, sua cultura, seu conhecimento e o seu desconhecimento, tecido entre os fios das relações que ela estabelece com seus educadores. Para aprender, a criança ou jovem precisa identificar-se como sujeito pertencente a um grupo que tem uma identidade cultural, especificidades que vieram em seu berço e uma forma de viver e conviver.

À medida que ela se constrói e se conhece, autoriza-se a conhecer e, desse modo, reconstrói seu entorno, reconstruindo-se. A jornada da aprendizagem requer a presença de um sujeito que quer aprender, pois deseja continuar pertencendo; que sabe que é ele que aprende, por isso responsabiliza-se; que precisa de seus educadores como mediadores para que o movimento de aprender e ensinar aconteça, motivo pelo qual é tão importante que pais e professores estejam atentos, intencionados e disponíveis.

Para conseguir a proeza da superação, o sujeito precisará respeitar a si próprio, premissa que viabilizará a possibilidade de entender e respeitar o outro, (ama ao teu próximo como a ti mesmo, diz o mandamento Cristão), para estabelecer com o mundo e consigo, os limites que sejam viabilizadores essas aprendizagens.

Afinal, qual o fim maior da educação? Não será a construção de sujeitos livres e solidários, instrumentalizados para serem felizes?Não será o capcioso entrelaçamento dos conceitos e da vivência de limites, respeito e superação a equação que abre as portas e desvela um mundo melhor – possibilitando uma boa vida para cada um e para todos?

Isabel Parolin:  Mestre em Psicologia da Educação. Psicopedagoga clínica; consultora institucional de escolas públicas e privadas; professora em cursos de pós-graduação na área da Aprendizagem e relação família e escola. Palestrante para pais e professores. Pesquisadora do grupo GAE-PUCPR. Autora de vários livros (21) e dentre eles: Limites, Respeito e Superação, pela editora Expoente, de Curitiba. Contato: www.isabelparolin.com.br

 

posts relacionados

Comments are closed.