O que há por trás das dificuldades de aprendizagem?

O ritmo escolar de ensino, a metodologia utilizada, os valores e princípios da escola e da família são elementos essenciais para o processo de identificação de questões relacionadas à aprendizagem.

O que há por trás das dificuldades de aprendizagem?
Criar e Educar,  Especial
12 de junho de 2016

Vivemos um momento social em que muitas teorias e formas de educar se misturam e com isso identificar dificuldades de aprendizagem nas crianças está se relativizando cada vez mais. O ritmo escolar de ensino, a metodologia utilizada, os valores e princípios da escola e da família são elementos essenciais para o processo de identificação de questões relacionadas à aprendizagem.

Por exemplo, se a escola dá ênfase aos esportes, as crianças que tiverem mais facilidade para a arte irão se diferenciar com menor intensidade. Isso também vale para os conteúdos acadêmicos, uma vez que as escolas fazem escolhas em suas organizações curriculares e forma como vão proporcioná-los a seus alunos, e alguns deles podem favorecer ou não determinado alunos. Além disso, questões como o perfil da instituição também são de grande valia: se escola é conservadora e seu filho tem uma postura inovadora, pode ser que suas notas não reflitam sua aprendizagem como um todo. Isso quer dizer que notas ruins nem sempre significam dificuldades de aprendizagem.

Diante desse cenário, como agir? Esta é a pergunta que não quer calar! Os pais ficam aflitos e se sentem de mãos atadas no que se refere a dúvidas sobre dificuldades de aprendizagem dos filhos. Mas antes de partir para a resposta é importante entender como se dá de fato o processo de aprendizagem das crianças, objeto de estudo da Psicopedagogia. Assim, analisando de maneira mais reflexiva, será possível cada vez mais se afastar dessas relativizações trazidas pelos tempos modernos e encarar as situações de maneira mais prática.

dificuldades de aprendizagem

O processo de aprender, na perspectiva psicopedagógica, é uma construção. Construção essa que está relacionada a dimensão cognitiva e afetiva de cada sujeito. “Para construir conhecimento, o ser humano, um organismo em funcionamento, articula as dimensões constitutivas de sua condição de humano e transforma a informação de tal maneira que, ao mesmo tempo que aprende, organiza-se internamente como sujeito que deseja aprender” (Barbosa, 2010).

Neste sentido, ao receber a queixa de uma criança com dificuldades de aprendizagem, o psicopedagogo se preocupará em investigar o nível de pensamento alcançado pela criança em situações presentes e, para tanto, respalda-se em sua noção de tempo, espaço, conservação, seriação, classificação, critérios, causalidade, número e etc., além de elementos do desenvolvimento motor de acordo com a idade e maturação, nível de elaboração simbólica e história de vida da criança considerando aspectos emocionais significativos.

Vale ressaltar que a aprendizagem se dá de forma sistemática (na escola) e assistemática (fora da escola). Isso tem tudo a ver com vínculo emocional que a criança possui com o conhecimento e sua forma de “absorvê-lo”. A psicopedagogia leva em consideração que cada ser humano é único e que cada saber tem seu valor. Ou seja: cada um aprende à sua maneira.dificuldades de aprendizagem

Dessa forma, para que um diagnóstico sobre dificuldades de aprendizagem seja eficaz, é preciso que se leve em consideração cada um desses pilares: raciocínio lógico, desenvolvimento motor e nível de elaboração simbólica esperados para a idade, bem como o vínculo emocional da criança com as aprendizagens.

Assim, se por ventura uma família não concordar com o ritmo escolar de ensino a qual matriculou seu filho e, por consequência disso, verificar que algo não vai bem com a aprendizagem do mesmo, o melhor a se fazer é apoiar-se em um diagnóstico que se preocupa com as bases do desenvolvimento cognitivo humano e vínculos com a aprendizagem.

Por que é importante detectar as dificuldades de aprendizagem a tempo?

Um melhor entendimento sobre a maneira de pensar e o jeito de aprender de cada criança detectado precocemente poderá melhorar qualitativamente as ações pensadas para sua aprendizagem.

Vemos crianças em sofrimento quando recebem estímulos que não são compatíveis com seu nível de desenvolvimento cognitivo, como baixa-estima por não conseguirem obter sucesso algum diante da alta exigência das atividades oferecidas. Há também crianças que assumem uma relação negativa com a aprendizagem por alguma questão emocional, e precisam de conduções diferentes. Por exemplo: o processo de alfabetização exige certa flexibilização por parte da criança em suas tentativas de erro e acerto para obter sucesso na relação entre sons e letras- base do processo de alfabetização construtivista-, mas impedimentos de sua subjetividade não o permitem errar (nas brincadeiras e nas relações fora do contexto escolar não tolera errar e se frustrar), o que faz com que a criança não avance em sua aprendizagem da escrita.

Nestes casos observamos que estratégias específicas diferentes são necessárias para modificar o percurso da aprendizagem de cada criança, e uma detecção no momento certo farão toda diferença na vida escolar e de aprendizagem de mundo das crianças.

 O que os pais podem fazer para prevenir as dificuldades de aprendizagem?

pai brincar com a filha

 A resposta correta é: brinque com o seu filho! Uma simples brincadeira de separar peças por cor ou por formatos fará com que a criança classifique (um dos raciocínios lógicos mais básicos). Brinquedos de montar do menor para o maior também estimulam a seriação (importantíssima base matemática). Isso sem contar os jogos que, além de oportunizarem momentos valiosos em família, impulsionam diversos entendimentos. Para finalizar, a leitura, contação de histórias, escrita de bilhetinhos e cartinhas fará com que aguce sua curiosidade pela leitura e escrita. Ressaltamos que os pais não precisam saber com clareza o objetivo de cada brincadeira, precisam somente brincar de forma diversa, diariamente, com seus filhos.

E quando dúvidas surgirem sobre o processo de aprendizagem procure conversar com a escola e profissionais que estejam preparados para esclarecimentos dessa natureza. A comparação com amigos de mesma idade, filho do vizinho ou irmão mais velho nem sempre são um bom caminho, pois como já mencionamos anteriormente: cada um aprende à sua maneira!

Para crianças maiores de 6 anos você poderá utilizar esse teste on-line para se perguntar sobre algumas questões e entender se o caso do seu filho requer maior preocupação.

Referências:

BARBOSA, Laura M. Serrat. Segredos do Aprender: a psicopedagogia e as elaborações simbólicas. São José dos Campos, Pulso Editorial, 2010.

espaço mediação logoMichelle Klaumann e Danielle Gross de Freitas – psicopedagogas do Espaço Mediaçãocontato@espacomediacao.com.br

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