Plano de Parto

O plano de parto mostra as escolhas da mulher para o parto e define a ética dos profissionais que acompanham a gestante.

Plano de Parto
Criar e Educar
10 de dezembro de 2013

A melhoria na assistência ao parto não depende apenas de políticas públicas ou de um novo modelo de atendimento obstétrico, depende também da mudança de postura das mulheres. Quanto mais preparada a mulher estiver para o parto, menor a chance de sofrer violência obstétrica (leia mais sobre violência obstétrica)

gestantePara isso é preciso que ela e o companheiro estudem a fisiologia do parto e as recomendações da OMS e da Medicina Baseada em Evidências Científicas. Também é preciso que a mulher estude sobre as intervenções realizadas nos hospitais e a necessidade e consequências de cada uma delas. A informação está disponível na internet e nos grupos de apoio à gestação e a maternidade. Em Curitiba temos a Casa Mãe, o Centro de Parto Ativo e o grupo Doula Curitiba , entre outros.

Somente com conhecimento a mulher terá condições de fazer escolhas para o seu parto, como por exemplo: o tipo de parto, o acompanhante, as intervenções que ela aceita ou não sejam realizadas nela e em seu bebê, e a necessidade de prévio consentimento no caso de alterações imprevistas no trabalho de parto. Estas escolhas devem ser registradas em um documento chamado Plano de Parto.

O ideal é que se discuta sobre o plano de parto com o médico que atende a gestante (e o pediatra, se houver), pois ele deve concordar, assinando o plano de parto e respeitar tais escolhas. Além disso, ele  poderá dizer se dentro do hospital escolhido é possível ou não realizar os desejos da gestante.

O seu plano de parto deve estar de acordo com a sua personalidade, sua cultura, seus valores e sua família. Com as condições que a maternidade e seu obstetra lhe ofereçam. É importante para você pactuar as suas escolhas com a equipe profissional que lhe atenderá.

O médico pode não concordar com o plano de parto?

Sim, ele pode, há médicos que só fazem cesáreas e não gostam de atender parto normal. E se ele for ético,  irá dizer isso. Ótimo, afinal dá a possibilidade de a mulher consultar outro profissional.

Além disso, é fundamental protocolar o Plano de Parto junto ao hospital que atenderá a gestante, principalmente se a mulher não tiver um médico de referência e o atendimento for pelo SUS.

Mas e se o hospital recusar  receber e protocolar o Plano de Parto?

Neste caso o melhor é fazer uma Notificação Extrajudicial. Leve 3 vias do Plano de Parto e o nome e o endereço do Hospital a um Cartório de Títulos e Documentos, pague os emolumentos (taxa do cartório) e aguarde o retorno da sua via.

Plano de Parto Protocolado. E agora?

Procure obter uma devolutiva do hospital, para garantir que seu parto será respeitado. Se possível, tente uma reunião com a Diretoria Clínica da Maternidade, leve seu plano de parto e a pessoa que irá te acompanhar durante o parto.

No dia do parto, leve o seu plano de parto protocolado e uma cópia da Lei do Acompanhante (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11108.htm). O ideal é que seu acompanhante conheça bem o plano de parto e esteja apto a defendê-lo, afinal você estará ocupada com o seu trabalho de parto.

Ser mãe dá trabalho, né?! Então, Maezíssima, comece logo, não deixe para o final da gestação! Você precisa de tempo para as escolhas e para mudar de médico se necessário, afinal, o parto é da mulher, do bebê e da família!

Diga não à violência obstétrica.


Modelo de Plano de Parto

PLANO DE PARTO

Curitiba – Pr, data.

 

Ao médico Obstetra

Ao Sr. Diretor Clínico do Hospital …

Ao Departamento Jurídico do Hospital…

 

Eu, fulana de tal, encontro-me grávida com data provável de parto para (data). Ciente dos direitos sobre meu corpo e minha saúde e de meu bebê, e tendo conhecimento sobre o desenrolar do processo fisiológico do parto e nascimento, venho expor as condições que desejo sejam respeitadas em meu trabalho de parto, parto e pós-parto imediato.

 

Sobre as condições da assistência ao parto

Desejo ser tratada com ética e respeito, assim como o meu bebê ao nascer. Nossa intimidade e privacidade devem ser respeitadas e para nossa atenção desejo que figurem somente os profissionais estritamente necessários.

Cada procedimento deve ser informado a mim e a meu acompanhante (marido/companheiro), com os motivos e soluções para cada intervenção, se houver necessidade, sendo solicitado nosso consentimento prévio.

Não autorizo nenhum procedimento ou intervenção rotineira adotada por prevenção, ou seja, desnecessariamente.

 

Durante o trabalho de parto

– quer ser chamada pelo nome e não por diminutivos;

– ter liberdade de movimento e de posições;

– desejo comer e beber água;

– fazer o mínimo de exames de toque e sempre com o mesmo profissional e na presença de meu acompanhante;

– não aceito receber “sorinho” com ocitocina sintética para acelerar o parto;

– não autorizo raspagem de pelos;

– não autorizo lavagem intestinal;

– etc.

 

Durante o parto

– quero ficar na posição que desejar;

– não quero ser forçada a fazer força, o farei apenas durante as contrações e quando sentir vontade;

– não aceito que minha barriga seja empurrada para baixo (Manobra de Kristeler);

– não autorizo episiotomia (corte do períneo) de rotina;

– quero que seja imediatamente colocado pele a pele comigo; desejo amamentar na primeira hora;

– autorizo o corte do cordão umbilical apenas depois que ele pare de pulsar;

– não quero que a placenta seja tracionada, defendo aguardar a sua saída espontânea;

– etc

 

Em caso de cesárea

– não desejo uma cirurgia, mas caso ela seja realmente necessária, quero que as razões sejam devidamente informados e explicados a mim e a meu acompanhante (marido) e que nos peçam consentimento por escrito.

– quero ser informada de todos os procedimentos e participar ativamente das decisões relativas a cirurgia;

– não dou consentimento para ser amarrada durante a cesárea;

– etc

 

Pós-parto

– não aspirar o bebê

– não dar banho e não retirar o vérnix;

– todos os procedimentos com o bebê devem ser informados e consentidos por mim ou pelo pai e feitos em nossa presença;

– etc

 

Entendemos que o parto é um evento incerto quanto às circunstâncias envolvidas, mas firmamos nosso desejo de que o plano de parto seja seguido e acreditamos na boa vontade e na capacidade de todos os profissionais envolvidos.

Entendemos também que a Constituição Federal outorga direitos e garantias individuais, o que inclui aceitar ou recusar um procedimento médico.

Certos de que esta será uma experiência muito gratificante e enriquecedora para todos, agradecemos.

 

Importante: esses são apenas alguns exemplos de escolhas no plano de parto. Informe-se e estude sobre cada ponto, garantindo que cada etapa seja cumprida. Procure discutir os pontos com a equipe que prestará assistência, se possível.

Entre em contato com a Sabrina Ferraz pela página do Direito ao Parto ou pela Facebook (fan page).

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