Por mais nascimentos felizes

O que é preciso para que a mulher tenha uma boa experiência de parto?

Por mais nascimentos felizes
Criar e Educar
6 de março de 2014

Definitivamente ter uma boa experiência de parto inclui o estudo, com informação sobre o processo fisiológico do nascimento,  riscos e benefícios do parto e da cesárea, e sobre as intervenções médicas rotineiras.

Eu já falei aqui que uma experiência digna e satisfatória de parto inclui também a precaução contra a violência obstétrica, com a escolha de uma boa equipe de assistência, se possível e, principalmente, com a elaboração e protocolo de um bom plano de parto. Mas além da informação, é preciso também muita atitude. Atitude de preparação para o parto.

Eu não me refiro aqui apenas a atitude de preparação com as técnicas corporais e respiratórias da meditação ou ioga, por exemplo. Ou na preparação pela participação em oficinas e rodas de conversa para gestantes e casais, tão somente. Claro que isto é sim muito importante e necessário, mas será que isso tudo, apenas, garante uma boa experiência de parto? Não, não garante.

partos

Imagem: Simone Maurina

Recentemente, a grande profissional e amiga querida, Maria Rita, enfermeira obstetra do Grupo Luar (parto domiciliar planejado em Curitiba), dividiu a preocupação sobre a forma como algumas mulheres estavam – mesmo ‘preparadas’ – lidando com o seu processo de parto. Em alguns casos essa preparação e os cuidados profissionais intermitentes das parteiras e doulas não estavam sendo suficientes para que as mulheres conseguissem sobrepujar os medos, as dores  e o significado coletivo e emocional que carregamos do parto.

Isso porque o parto é um processo de grande intensidade psicológica, emocional e, também, social. A visão do parto como fenômeno natural ou médico varia muito de cultura para cultura, assim como varia o lugar que é dado à dor neste processo. A questão é que a experiência do parto pode ser culturalmente determinada.

Infelizmente vivemos a cultura do paradigma médico, que se apropria do corpo feminino, transformando o parto num evento médico extremamente medicalizado e patologizado, em que as mulheres não possuem autonomia sobre seus corpos e de seus bebês, que são tidos como incapazes ou deficientes para parir. E nesse contexto o parto é visto como uma experiência difícil, pautada pela dor, medo e emocionalidade negativa.

Além do aspecto cultural, emocionalmente o parto, por sua natureza, tem força para mobilizar grandes níveis de ansiedade, medo, excitação, e expectativa. O parto também dá à mulher a oportunidade de reviver o seu próprio nascimento e de renascer como mulher, além de nascer como mãe.

Por sua intensidade, o parto pode ajudar na reformulação da identidade da mulher. E por  si só, é um evento de significância psicológica incontestável, principalmente do primeiro filho, cujas memórias permanecem vivas em nível cognitivo e psicológico, exercendo um impacto, positivo ou negativo, que repercute durante a vida inteira da mulher.

Para um bom parto, a atitude de preparação, portanto, deve incluir o conjunto de aspectos culturais, psicoemocionais e cognitivos, e as crenças e mitos que envolvem o parto para cada mulher. A identificação, compreensão e elaboração profunda destes aspectos é que possibilitará  uma preparação realmente completa, com condições para que as mulheres consigam o parto almejado.

Para ajudar nesse fortalecimento, com uma preparação mais efetiva e completa para o parto, dou a dica das oficinas da ONG Amigas do Parto, com a Adriana Tanase Nogueira e Monica Lopes Stange, para as gestantes, companheiros, profissionais obstetras, doulas, educadoras perinatais e demais interessados.

qualificação na psicologia do parto; 

mergulho de corpo e alma no parto

a alma do parto – novo paradigma para a humanização

 

Um desejo sincero que cada vez mais tenhamos nascimentos felizes!

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