Você sabe o que é violência obstétrica?

Quem já não ouviu falar de violência obstétrica e quantas mulheres já não sofreram com ela? Talvez você não saiba, mas pode ter sido uma vítima.

Você sabe o que é violência obstétrica?
Criar e Educar
31 de outubro de 2013

Praticada pelos profissionais de saúde nas instituições públicas e privadas, durante a atenção à gravidez, parto e pós-parto, a violência obstétrica é hoje uma violência silenciosa. Mas de natural, não tem nada.

A violência obstétrica é uma forma específica de violação dos direitos fundamentais e reprodutivos das mulheres  (entre eles o direito à liberdade, à igualdade, à informação, à não-discriminação, à integridade física, à saúde e à autonomia reprodutiva), sendo fruto da convergência entre a violência institucional e a violência de gênero.

violencia obstetrica

www.carlaraiter.com/1em4

Acontece com maior evidência durante o trabalho de parto e atinge a mulher e o bebê, podendo ocorrer sob dois aspectos:

  1. Aspecto físico: realização de intervenções e práticas invasivas, e administração de medicamentos desnecessários pelo estado de saúde da parturiente ou para acelerar o tempo e as condições do parto fisiológico natural.
  2. Aspecto psicológico: tratamento desumano, grosseiro, discriminatório e humilhante, desde repreensões, provocações, ironias, insultos, ameaças, até indiferença diante das solicitações,  recusa de tratamento, manipulação da informação, tudo sem o menor respeito à dignidade humana da mulher. A violência psicológica também inclui a omissão de informações sobre a evolução do parto.

A Organização Mundial da Saúde – OMS, desenvolveu uma classificação, baseada em evidências científicas, sobre as práticas e intervenções que devem ou não ser feitas no processo de parto. 

Além disso, a medicina baseada em evidências científicas vem demonstrando a falta de justificativa para a utilização de certas práticas, desnecessárias e prejudiciais nos partos de baixo risco, mas que continuam sendo realizadas pelos profissionais de saúde de forma rotineira. Mais informações sobre isso aqui. 

Alguns exemplos de violência obstétrica

Violencia obstetrica

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– Episiotomia de rotina (corte do períneo – “pique”)

–  Obrigar as mulheres a parir deitadas e com as pernas levantadas;

– Impedir, sem causa médica justificável, o apego precoce do bebê com sua mãe, negando a possibilidade do contato pele a pele e da amamentação logo após o nascimento;

–  Alterar o processo natural do parto de baixo risco, pelo uso de técnicas de aceleração sem o consentimento voluntário, expresso e informado da mulher, ou mediante coação da mesma.

–  Praticar a cesariana quando existem condições para o parto natural, sem o consentimento voluntário, explícito e esclarecido da mulher.

No Brasil ainda não existe uma lei específica contra a violência obstétrica, mas as ações ou omissões que prejudiquem os direitos reprodutivos das mulheres, além de formas de violência e discriminação à mulher, podem constituir atos de tortura e tratamento cruel, desumano e degradante.

Para ter suas decisões reprodutivas respeitadas e acabar com essa forma de abuso e maus tratos, é preciso que as mulheres conheçam seus direitos e se informem sobre o processo fisiológico do parto (opções de parto e os riscos e benefícios envolvidos em cada procedimento, recomendações da OMS e da Medicina baseada em evidências científicas).

Somente tomando para si o conhecimento que lhes é negado e por vezes manipulado pelos profissionais e instituições médicas, é que as mulheres serão respeitadas.  Diga não à violência obstétrica.

SABRINA FERRAZ é Advogada.  Casada, mãe de 02 “filhas únicas”  pois, diferem 19 anos. “Me reinventei com a segunda gravidez e optei por um parto domiciliar. Com isso descobri uma nova realidade, cuja mudança se inicia no direito de dar à luz e de nascer de forma digna. Tornei-me ativista pela humanização e criei o grupo Direito ao Parto, que luta pelo respeito e acolhimento das mulheres e das famílias.”

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1 Comment

  • Excelente e esclarecedora postagem. Fico feliz que o assunto agora ganha contornos recorrentes depois de tanta luta e que agora tem-se tantas ativistas, mulheres empoderadas e apoiadores da causa. Espero, de verdade, que se tomem medidas jurídicas quanto a isso.