Bonequeiras sem fronteira – toda criança precisa brincar

Conheça um pouco da história, seu funcionamento e como ajudar as Bonequeiras sem Fronteira. “Nosso desejo é defender o direto das crianças de brincar."

 Bonequeiras sem fronteira – toda criança precisa brincar
Brincar,  Especial
14 de fevereiro de 2016

O que é preciso para fazer a diferença? Para alguns, basta enxergar a possibilidade de ação. Uma professora, estudiosa da infância, vê na TV as notícias da desocupação em uma cidade que nem é a sua. Convida mais 6 amigas e decidem produzir juntas bonecas de pano para as crianças que foram expulsas de suas casas. Em 10 dias de mobilização virtual, já eram 60 pessoas produzindo bonecas e bonecos para aquelas crianças, em um mês o número já passava de 100. Assim começou o grupo Bonequeiras sem Fronteiras, organização espontânea e virtual que tem como único objetivo, tornar visível as crianças em meio aos grandes desastres e lembrar que até mesmo elas, precisam brincar.

andrea cordeiro

Andréa Cordeiro – fundadora do grupo Bonequeiras sem Fronteira

O ano era 2012, e a professora doutora é a Andréa Cordeiro, a desocupação ficou conhecida como “Massacre do Pinheirinho”, em São José dos Campos, São Paulo. Inspiradas e apoiadas pela organização internacional Dolly Donations, Andréa foi até o alojamento entregar pessoalmente 400 bonecas feitas por voluntários do Brasil e do mundo. Mas, depois dessa ação encerrada, as bonecas continuavam a chegar de toda parte. Foi então que começou a organização das Bonequeiras sem Fronteira.

“Após 3 anos de grupo já entregamos mais de 4 mil bonecas e já somos mais de 500 voluntários”, conta Andréa. O grupo permanece fiel a seu propósito de ajuda às crianças. “Apesar da insistência, não nos formalizamos como ONG, nem empresa, nem instituição. Somos um grupo virtual de voluntários e não lidamos com dinheiro, apenas com voluntários”.

Ações embasadas, planejadas e cuidosas

bonequeiras sem fronteira

Apesar da informalidade do grupo, há sim uma organização muito detalhada. Para começar, a escolha do lugar e do tipo de boneca que será confeccionado. “As ações são escolhidas a partir da indicação dos membros do grupo”, conta Andréa. Um dos participantes precisa conhecer a realidade do local, o tipo físico das crianças e até o contexto da situação. “Buscamos fazer vários tipos de pele, cabelo e tipo físico, para que a criança se identifique com o boneco”. Lembrando que são feitas bonecas e bonecos, nenhuma criança fica sem presente especial.

O cuidado com a segurança é outra preocupação muito grande das Bonequeiras sem Fronteiras. Nenhum botão, laço ou objeto que possam perfurar, podem estar nos bonecos. “Nunca sabemos se essa criança terá, ou não, a supervisão de um adulto para brincar, por isso precisamos garantir a sua segurança”, completa.

O grupo também tem um embasamento teórico para a confecção das bonecas buscando referências em vários teóricos e correntes que pensam o brincar e o brinquedo na infância, inclusive a antroposofia

Como participar e ajudar

bonequeiras sem fronteira

As Bonequeiras sem Fronteiras levam com muita seriedade seu voluntariado. O grupo no Facebook tem um limite de participantes e já está com lista de espera para entrar. Mas voluntários podem participar das oficinas – mutirões – de produção dos bonecos. Elas são realizadas uma vez por mês em Curitiba. Nela os voluntários confeccionam os bonecos e doam para a ação escolhida. Em contrapartida podem levar para casa o modelo do boneco.

Você também pode ajudar com caronas solidárias. As bonecas são doadas pelos voluntários sem custo, porém para chegar ao local da doação precisam de transporte pago ou carona solidária. Andréa conta que tem bonecas que viajam por várias cidades até chegar ao seu destino, principalmente quando estão de carona. “Também realizamos uma rifa a cada dois anos para um fundo de transporte das bonecas.

Uma tarde com as Bonequeiras sem Fronteiras

bonequeiras sem fronteira

Mutirão em Curitiba – produção de bonecos para Mariana

Encantada com a proposta e com os bonecos, pedi para participar de uma oficina. O mutirão aconteceu no Atelier Miriam Asanome. Um lugar acolhedor, lindo e, principalmente, com uma mesa enorme para acolher os 12 voluntários que se reuniram naquele dia.

Algumas pessoas já estava acostumadas a fazer bonecas, mas também tinha gente como eu, que nunca tinham feito uma boneca de pano. As horas passaram voando entre feltros, tecidos, conversas interrompidas pelo barulho da máquina de costurar. No final do dia uma foto com os bonecos que foram feitos para as crianças de Mariana – cidade referência para o desastre do rompimento da barragem e enxurrada de lama decorrente.

Participar de um encontro das Bonequeiras sem Fronteiras é sentir na pele o amor que essas pessoas sentem pelas crianças. “Nosso desejo é defender o direto das crianças de brincar. E não apenas com um brinquedo doado, usado ou novo. Mas um boneco de pano feito carinhosamente e unicamente para ela”, fala apaixonadamente Andréa.

 

Serviço:

Bonequeiras sem Fronteira

Blog – www.bonequeirasemfronteiras.blogspot.com.br

Fanpage – Bonequeiras sem Fronteira

Grace  I. Barbosa ─ Mãezíssima

Grace e Julia perfilIdealizadora e fundadora da Mãezíssima. Mãe da Julia, jornalista, escritora e empreendedora. Aprendendo todo dia a ser uma mãe possível. Amante das boas histórias e de compartilhar conhecimentos que realmente fazem a diferença na vida dos leitores.

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2 Comments

  • Olá! estou unindo algumas amigas do Centro Espirita do meu bairro aqui em Goiania GO para fazermos naninhas e levarmos para o hospital do câncer e as doarmos para as crianças que estão fazendo tratamento de quimio e radio. Vi suas naninhas há um tempo e guardei uma que imprimi e como o tempo é determinado, lquer dizer a semente só germina no tempo certo… chegou a vez de colocarmos mãos a obra. Vim no intuito de saber de voces se doariam os moldes para cá fazermos.
    Se não der , compreenderei.
    Desde já agradeço.
    Elizete

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