Chupar o dedo: uma linguagem a ser compreendida

Mania, birra, problema. Como lidar com o hábito de chupar o dedo? Convidamos a psicóloga Virgínia Oliveira para falar sobre esse assunto. Confira as reflexões que ela nos trouxe:

Chupar o dedo: uma linguagem a ser compreendida
Criar e Educar,  Especial
21 de outubro de 2015

A chupeta é um acessório inventado pelo homem, quando percebeu que o ato de sucção é um dos (se não o mais usado) comportamentos dos bebês para aliviar as tensões inerentes ao processo de aprender a vida. Antes de descobrir a chupeta, porém, muitos bebês descobrem o dedo. Surge então as dificuldades e dúvidas sobre o comportamento de muitas crianças de chupar o dedo.

Leia também: Chupeta: Como administrar? Como tirar?

aconchego

Imagem: Elis Alves

Existem posições diversas sobre os benefícios e os malefícios do comportamento de sugar o dedo ou de chupar chupeta. No entanto, é importante os pais terem consciência de que a vida, o viver, traz tensões e ansiedades. Elas são importantes porque nos colocam em movimento; porém, não podemos esquecer que vivemos em eterno movimento, em aprendizagem, em busca de harmonia, de equilíbrio. Quando a tensão e a ansiedade aparecem em níveis que nos paralisam, passam a ser mais vivenciadas do que outros comportamentos. Então, precisamos parar, avaliar e refletir sobre o que está acontecendo para que nossa ansiedade esteja promovendo mais desiquilíbrio, mais desconforto, mais tristeza, mais angustia do que provocando crescimento, amadurecimento e desenvolvimento.

Alguns estudos vêm atestando que as crianças, por volta de quatro ou cinco anos, quando estimuladas a aprender a lidar com frustrações, desconfortos e tensões de outras maneiras que não sugando o dedo, vão perdendo o interesse e deixam de sugá-lo.

Deixar de chupar dedo, aprender a comer a sopinha, deixar as fraldas, aprender a dormir sozinha na sua cama, apropriar-se da rotina… São todos comportamentos que vão sendo aprendidos paulatinamente; para isso, é necessário maturidade orgânica, apoio e atenção, referência, segurança, paciência, autoridade dos pais. Nesse processo, as crianças precisam ser respeitadas, incentivadas no meio em que vivem, para ir adquirindo segurança e autonomia. Esses comportamentos não caem do céu, não acontecem de uma hora pra outra, mas vão sendo construídos com persistência, repetição, compreensão, limite e amor.

Cada criança é única; cada pai e cada mãe também. Cada família que se forma tem seus valores e caminhos a trilhar. Algumas crianças são mais rápidas; outras, mais tranquilas para aprender; ainda outras precisam de mais tempo, mais paciência. Assim como seus pais, as crianças têm suas características; o que nos faz a todos seres únicos.

família

Imagem: Elis Alves

É com os outros, nas trocas relacionais, que vamos construindo os alicerces, o que é comum; porém, onde colocar as paredes, as portas e as janelas, as cores, os quadros, os móveis é resultado da individualidade de cada família, construído com o diálogo, a compreensão, a disponibilidade, a aceitação das diferenças e da diversidade. Esse caminho para aprender e construir começa entre os pais; paulatinamente, as crianças vão entrando, vão se apropriando, na medida em que experienciam a disponibilidade para viver as diferenças e construir a coerência.

Esse processo dá-se da mesma forma como o passar das estações do ano, da noite e do dia, das marés cheias e vazantes, dos momentos difíceis, confusos, inesperados, assim como dos momentos de satisfação, gratuidade e sentimento do dever cumprido. O veículo desse processo, sem dúvida, é a disponibilidade para amar.

Pedir ajuda, buscar ajuda, testar, agir, refletir são ações que facilitam e, muitas vezes, viabilizam este processo maravilhoso e inusitado que é viver.

Por isso, se a sua criança está demonstrando que não está feliz, não está conseguindo crescer, aprender o que você está elegendo como importante para ensiná-la, pare! Reflita! Aprenda com ela e busque entender o que isso representa nesse momento. Assim, será mais fácil corrigir a rota e retomar o caminho.

Virginia Alice C. R. F de Oliveira – Psicóloga, Terapeuta de Família e Casal, Formada em Teoria e Técnica de Grupos Operativos, Aperfeiçoamento em Administração Rural. Participa da equipe doGrupo Síntese.

Deixe sua experiência, compartilhe sua história, deixe suas perguntas! Sua participação é muito valiosa! 

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