Manifesto pela criação de filhos plenos

Compartilho com vocês o manifesto escrito pela autora Brené Brown em seu livro A coragem de ser imperfeito. Um texto que vale ser lido e relido por todas as famílias

Manifesto pela criação de filhos plenos
Especial,  Família
9 de maio de 2016

O livro A coragem de ser imperfeito caiu na minha mão um pouco antes do Dia das Mães. Não era um presente para mim, mas acabou sendo uma espécie de guia para essa época barulhenta. Brené Brown é uma pesquisadora da vulnerabilidade, vergonha e por consequência, aceitação e vida plena. Ph.D. em serviço social Brené propõe nessa obra uma viagem interior em busca das causas e consequências da vergonha e claro, tudo começa na infância e no relacionamento que temos e aprendemos de nossos pais.

“Quem somos e como nos relacionamos com o mundo são indicadores muito mais fortes de como nossos filhos se sairão na vida do que tudo que sabemos sobre criação de filhos”, afirma Brené.

No livro, a autora dedica um capítulo inteiro para falar sobre criação de filhos e conclui esse trecho com o Manifesto pela criação de filhos plenos. “Escrevi esse manifesto porque tive que fazê-lo. (…) Desprezar as comparações em uma sociedade que usa aquisições e conquistas para avaliar valor não é fácil”.

Divido esse manifesto com todas as mães leitoras da Mãezíssima, porque é realmente um desafio lidar com a vulnerabilidade  ou ser assolada pelo medo de não ser boa o bastante.

Manifesto pela criação de filhos plenos

filhos

Imagem: Elis Alves

Acima de tudo, quero que você saiba que é amado e que tem capacidade de amar.

Você descobrirá isso por meio de minhas palavras e atitudes: as lições sobre o amor estão na maneira como eu o trato e como eu trato a mim mesmo.

Quero que você se relacione com o mundo a partir de um sentimento de dignidade e de autovalorização.

Você descobrirá que é digno de amor, aceitação e alegria todas as vezes que me vir praticando o amor-próprio e acolhendo minhas próprias imperfeições.

Nós praticaremos a coragem em nossa família o nos mostrarmos, ao deixarmos que nos vejam e ao valorizarmos a vulnerabilidade. Compartilharemos nossas histórias de fracasso e de vitória. em nosso lar sempre haverá espaço para ambas.

Nós lhe ensinaremos a compaixão exercendo-a primeiro com nós mesmos, e então uns com os outros. Colocaremos e respeitaremos limites; valorizaremos o esforço, a esperança e a perseverança. Descanso e brincadeiras serão valores de família, assim como práticas de família.

Você aprenderá sobre responsabilidade e respeito ao me ver cometer erros e consertá-los, e ao ver como peço o que preciso e falo sobre como me sinto.

Quero que você conheça a alegria, para que juntos pratiquemos a gratidão.

Quero que você sinta alegria, para que juntos aprendamos a ser vulneráveis.

Quando a incerteza e a escassez baterem à nossa porta, você será capaz de recorrer à ética que permeia nossa vida diária.

Juntos, choraremos e enfrentaremos o medo e a tristeza. Vou desejar livrá-lo de sua dor, mas em vez disso ficarei ao seu lado e lhe ensinarei como senti-la.

Nós vamos rir, cantar, dançar e criar juntos. Sempre teremos permissão para sermos nós mesmos um com o outro. Não importa o que aconteça, você sempre será aceito em nossa casa.

Quando iniciar sua jornada para ser uma pessoa plena, o maior presente que poderei dar a você é amar intensamente e viver com ousadia.

Não irei ensiná-lo, amá-lo nem lhe mostrar as coisas de forma perfeita, mas eu me deixarei ser visto por você e semre considerarei sagrado o dom de poder vê-lo verdadeira e profundamente.

coragem de ser imperfeitoBrené Brown, A coragem de ser imperfeito. Editora Sextante, 2013.

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