Não, eu não quero isso

Qual a sua reação qual diante do "não, eu não quero isso" do seu filho? Eu precisei escolher entre a educação que recebi e a educação que quero dar.

Não, eu não quero isso
Criar e Educar,  Especial
13 de março de 2014

Dias atrás ouvi da minha filha essa frase com todas as letras: não, eu não quero isso. Essa  frase mexeu tanto comigo que esqueci qual era a situação em jogo, mas fiquei pensando no assunto durante dias. Eu precisava escolher qual postura adotar nessas situações. Iria reproduzir a criação que tive e responder: quem é você para querer alguma coisa? Ou iria incentivar a expressão dos sentimentos, mesmo que contrários a minha vontade, respeitando alguns “nãos”?

 

eu e a julia

Eu e a Julia. // Evary Leal

Vamos pensar a longo prazo. Um adulto que sabe dizer o que quer ou não quer, e principalmente, expressa isso de forma direta é um problema para quem? Sou de uma geração que cresceu ouvindo que não pode se expressar, que não tem direito a não gostar, e o que conseguimos com isso? Na maioria das vezes empurramos nossas vontades, gostos, pequenas alegrias pra debaixo do tapete porque não consideramos ter o direito a querer ou não querer. Ou ainda pior, aceitamos situações degradantes ou até prejudiciais, porque não conseguimos dizer não diante de alguém que se impõe.  

Há algum tempo, lendo sobre prevenção ao abuso de menores, uma das dicas era incentivar seu filho a dizer não. Crianças precisam aprender que podem dizer não e que devem ser respeitadas quando expressam suas vontade. Isso não quer dizer que elas nunca devem ser contrariadas. Ao contrário, tem horas que você, pai ou responsável, é quem sabe o que é melhor. Mas não é esse o caso em discussão aqui.

Crianças por volta dos dois anos estão numa fase crítica de entender seus limites e “poderes”. Respeitar os “nãos” e impor limites quando necessário é mais um daqueles dilemas cruéis da maternidade.

Da próxima vez que ouvir seu filho dizer, “não, não quero isso”, pense em como essa reação pode ser boa para a vida adulta dele. Podemos criar pessoas que se respeitam e se expressam com segurança. Isso vai fazer toda a diferença. Lembre-se sempre, não estamos criando apenas filhos, estamos criando uma sociedade inteira. 

 

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