Quando nasce um pai?

Hoje o Paizíssimo da Julia conta quando se sentiu finalmente pai. “Escolher o nome e a decoração ajudava a me convencer que seria pai. Tinha muito medo de não dar conta, de falhar, de ser reprovado na missão. No entanto, era tudo ainda na teoria.”

Quando nasce um pai?
Família
8 de agosto de 2013

Não sei ao certo explicar, mas não consigo me imaginar pai antes de ouvir o primeiro choro da Julia. É maravilhoso olhar para sua mulher grávida e perceber o afeto e o relacionamento que já existe entre elas. Talvez seja fato a máxima de que o pai nasce junto com a criança. Para mim é uma verdade inegável.

Talvez seja a questão do cuidado. Um homem somente se sente pai quando pode cuidar e proteger seu filho. A gravidez da Grace foi difícil, injeções de hormônio, repouso, múltiplos enjoos, quedas de pressão, trabalho desgastante, situação familiar complicada. Tudo muito difícil. Exigindo dedicação e cuidado, mas de marido, não de pai.  Escolher o nome e a decoração ajudava a me convencer que seria pai. Tinha muito medo de não dar conta, de falhar, de ser reprovado na missão. No entanto, era tudo ainda na teoria.

Silvio e a JuliaNo dia do parto, uma cesariana, eu estava apreensivo, mas aliviado por termos hora marcada para conhecer a Julia. Sei que a Grace se arrepende até hoje por não ter esperado o parto natural, mas pra mim era algo que eu podia controlar e lidar. Homens com mania de controle! Enquanto preparavam a cirurgia eu aguardava, com a câmera na mão, pensando nas fotos, no vídeo, ansioso por registrar um evento único.

Foi tudo tão rápido que mal vi a Julia nascendo, apenas um bebê sendo retirado rapidamente, enquanto eu me preocupava com minha esposa e sua reação à anestesia. No entanto, um choro ao longe agora fazia todo sentido. Eu era irremediavelmente pai.

Enquanto acontecia o pós-operatório, eu dava plantão na frente do berçário, olhando aquele serzinho tão pequeno e indefeso. O primeiro banho, a primeira roupa. Minha filha estava assustada por estar em um ambiente diferente, e eu por saber que nada mais seria como antes.

Um homem que até então se sentia incapaz de segurar um bebê sem quebrar, agora era capaz de pegar sua filha com força para desengasgar o liquido amniótico que voltava. Não éramos mais dois apenas, agora eu tinha uma filha que precisava de mim, do meu cuidado. Que “precisava” que eu velasse por ela durante a noite. Tudo bem que na verdade era eu quem precisava ver se ela estava bem, se respirava, se estava com qualquer desconforto, se sentia calor ou frio, se queria música ou colo.

Nasceu um pai, neurótico muitas vezes, mas feliz por ter nos braços alguém que eu pouco conhecia, mas que eu amava com todas as minhas forças. Deus disse: Faça-se a luz e a luz foi feita, a Julia chorou e fez-se um Paizissimo!

Silvio Barbosa

Imagem: Nanci Novak – https://www.facebook.com/nanci.novak

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