Seu filho precisa da SUA ajuda para entender política e cidadania

Independente do posicionamento ou partido político, esse é um momento fértil para falar sobre cidadania, liberdade e respeito. Mas seu filhos precisam da SUA ajuda para entender o que está acontecendo na política. Nesse post confira como algumas mães tem lidado com esse tema e algumas dicas para você falar sobre política com seu filho.

Seu filho precisa da SUA ajuda para entender política e cidadania
Especial,  Família
18 de março de 2016

Independente do seu ponto de vista política, ou partido, é totalmente impossível estar indiferente quanto às discussões e manifestações políticas que estão acontecendo nos últimos dias. Os jornais, rádios e TVs noticiam a todo momento fatos políticos e protestos por todo o país. No meio desse momento turbulento estão nossos filhos, observando e absorvendo tudo que a sua volta. Seus filhos precisam e muito da SUA ajuda para entender o que está acontecendo, entender política. Essa pode ser uma excelente oportunidade de formar uma geração mais consciente e correta, também quando o assunto é política.

Maria Sandra Gonçalves é Assessora de Comunicação da OAB e tem dois filhos. O maior já é homem formado, mas sua filha menor tem 10 anos de idade e muitas perguntas sobre o que está acontecendo. Ela quer saber o que é corrupção e até o que é Petrobras.  Vivemos “um momento fértil para semear noções de cidadania, explicar que Política vai além do voto, que é importante conhecer a Constituição, o papel de cada serviço pago com impostos e, sobretudo, ensinar que democracia não é todo mundo concordar, mas todo mundo ter voz”.

“Tenho dito que ir às ruas se manifestar é um direito de quem gosta do governo e de quem não gosta. Também aproveitamos para ensinar que nem todas as palavras de ordem são aceitáveis”, conta Maria Sandra.

Minha filha tem quase 4 anos, mas também fez perguntas sobre o que está acontecendo.  Um dos protestos aconteceu perto da sua escola e, como gostamos de ouvir rádio no carro, ela já perguntou o que é Lula. Tenho certeza que seu filho, mesmo que não faça perguntas objetivas, também está curioso para entender o que está acontecendo. Aproveite esse momento fértil para passar conceitos positivos.

– Não use frases de violência

– Não use xingamentos ao se referir a pessoas contrárias a sua posição ideológica

– Fale sobre a necessidade de conviver respeitosamente com todos, inclusive aqueles que não concordam com você. Ensine sobre respeito ao outro.

– Aja de forma pacífica, mesmo em casa assistindo aos noticiários.

– Tenha paciência para responder aos muitos porquês.

– Mostre esperança e confiança no futuro.

Lembre-se que estamos formando os cidadãos do futuro, nosso exemplo é fundamental para criar a sociedade melhor que tanto queremos para nossos filhos. O papel de ensinar e explicar o mundo é seu, pai e mãe, não transfira para a escola, ou colegas. Aproveite esse momento e converse sobre política com seus filhos.

Depoimento: como pais e mães tem lidado com a situação

Ana Luísa Pereira 

Minha ideologia é de esquerda. Sempre foi. Hoje não consigo defender ninguém, a não ser um estado democrático e um judiciário parcial. Enfim, mas vejo que as crianças são um reflexo do que se vê em casa e o que eu estou vendo é só ódio. Sempre amei política e cresci em um ambiente que transpirava política. Meus filhos escutam sobre política o tempo todo e aqui vão alguns comentários que ela me conta que suas amigas falam: a dilma é uma baleia. a dilma tinha que morrer, a dilma é uma mulher muito feia, porque seus pais votaram nela? Enfim, disso pra pior. Ou seja, realmente precisamos de pais conscientes para conversar sobre política. Não é uma questão de ódio, é uma questão de ideologia, de posicionamento, de pesquisa, de reflexão.  Independentemente de ser contra ou a favor, há que se instruir as crianças, e não pregar o ódio.  Minha filha já veio me dizer que sente vergonha por nós sermos de esquerda, e isso é muito errado. Há realmente que se conversar sobre política. mas com consciência e sabedoria 

vacina contra o ódio

Cristiane Souza – escritora infantil e empreendedora

Aqui em casa também tenho conversado sobre política com as crianças. A conversa não tem bem uma pauta, mas criei oportunidades para refletirmos sobre o fazer política e aí inseri os acontecimentos atuais. Como sou fã de literatura, especialmente a infantil, começamos a conversa assistindo a contação do livro “Quem manda aqui”, no canal da Fafá conta – contadora de histórias. Foi muito legal ouvir a opinião deles. Assistimos umas quatro vezes… porque eles queriam confirmar os argumentos. Além disso, inspirada por uma matéria e pesquisa que falava sobre alunos que passavam ou pediam cola, colocavam o nome ou de amigos nos trabalhos, e vários outros comportamentos não muito legais acontecidos na escola, conversamos no carro, na volta da escola, sobre corrupção e omissão, o famoso medo de ser “dedo duro”, de sofrer bullying, intimidações. Sobre coragem, sobre força, sobre certo e errado. Falamos até sobre Deus. Um deles fez até uma musiquinha! Mas eu já esqueci. Não existe revolução que não venha de dentro.

Franco Iacomini – articulista econômico, pai e teólogo

Lá em casa a gente não esconde as coisas da política da turminha tentamos explicar da melhor maneira e acho que os meninos são bem politizados para a idade. O Luca, inclusive, tem algumas posições que são diferentes das minhas. Mas é legal. Uma coisa que costuma funcionar é comparar as situações da política com a casa da gente ou com a escola vale pra economia também. Pedalada fiscal, por exemplo, é usar para uma coisa dinheiro que deveria ser usado para outra. Se a gente comprar uma bicicleta com o dinheiro que estava guardado para pagar a conta da luz, como é que fica? Vai faltar dinheiro e nós vamos ficar sem luz… Mas pra fazer essas comparações tem que pensar um pouco antes, planejar, pra fazer certo. Se não a gente corre o risco de dar uma explicação errada ou não ter resposta pra uma pergunta da criança…

Mirussia Remuszka – empreendedora na Comemore Sempre

Aqui em casa tenho dois meninos alegres e de ouvidos atentos: Há uns 15 dias eles começaram a dizer que a Dilma tinha que sair e que eles Odiavam o Lula!Estranhei esse repertorio e aprofundei o dialogo.. Por que vocês não gostam, o que aconteceu? Tudo pra entender o que eles sabiam do assunto. A resposta me fez segurar o riso: – Só falam de Lula e Dilma na tv, A gente nem pode mais assistir desenhos! Expliquei que todos tem direito de gostar ou não mas que precisamos assumir nossos erros. As pessoas na rua estavam muito bravas mas que isso ia passar quando a situação fosse resolvida. Confesso que a explicação foi suficiente até ontem, rs, dia do Ministro, não- ministro, ministro de novo. E segue o barco!

Luciana Ivanike – Empreendedora na Carinho de Pano

Sou mãe de três meninas com, respectivamente, 10, 5 e 3 anos. Desde a manifestação de 2015 explico para elas, e principalmente para a mais velha, que estamos exercendo nosso direito de manifestar nosso descontentamento. Tenho explicado que cada um tem o direito de manifestar se é contra ou a favor e que precisamos respeitar a opinião do outro.  Acho, que não podemos florear muito, mas se para mim já está tudo muito confuso, para eles seria até traumatizante!

 

brasil

Vamos ensinar hoje sobre cidadania para nossos filhos.

Contribua para esse post: Quais as perguntas que seu filho tem feito sobre a situação política para vocês? Como você tem explicado a situação política para ele?

Grace  I. Barbosa ─ Mãezíssima

Grace e Julia perfilIdealizadora e fundadora da Mãezíssima. Mãe da Julia, jornalista, escritora e empreendedora. Aprendendo todo dia a ser uma mãe possível. Amante das boas histórias e de compartilhar conhecimentos que realmente fazem a diferença na vida dos leitores.

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7 Comments

  • Aqui em casa também tenho conversado sobre política com as crianças. A conversa não tem bem uma pauta, mas criei oportunidades para refletirmos sobre o fazer política e aí inseri os acontecimentos atuais. Como sou fã de literatura, especialmente a infantil, começamos a conversa assistindo a contação do livro “Quem manda aqui”, no canal da Fafá conta – contadora de histórias. Foi muito legal ouvir a opinião deles. Assistimos umas quatro vezes… porque eles queriam confirmar os argumentos, rsrsrs além disso, inspirada por uma matéria e pesquisa que falava sobre alunos que passavam ou pediam cola, colocavam o nome ou de amigos nos trabalhos, e vários outros comportamentos não muito legais acontecidos na escola, conversamos no carro, na volta da escola, sobre corrupção e omissão, o famoso medo de ser “dedo duro”, de sofrer bullying, intimidações. Sobre coragem, sobre força, sobre certo e errado. Falamos até sobre Deus. Um deles fez até uma musiquinha! Mas eu já esqueci. 😉 Amei o post! Porque é bem disso que precisamos. Não existe revolução em meio a tanta gritaria. Este barulho todo não nos permite ouvir o que vem de dentro e só incentiva a intolerância e a violência. Não existe revolução que não venha de dentro.

  • CANALHA
    “Canalha, na filosofia moral, é atributo de uma conduta. Uma pessoa não é canalha, somente o comportamento pode ser considerado canalha. Quando o agente de uma conduta tem consciência que seu comportamento agride a convivência, a canalhice vigora. A ética é a vitória da convivência sobre a canalhice. Uma sociedade eticamente preparada deve estar preparada para enfrentar o canalha.”
    Clóvis de Barros Filho

    Hoje, conversando com um familiar, comentávamos sobre a situação geral do país. Na conversa o nome da presidente Dilma surgiu. Meu filho (5 anos) reconheceu o nome e entrou na conversa:
    – Meus amigos da escola estão planejando matar a Dilma…
    Silêncio…
    – Você sabe quem é a Dilma?
    – A presidente.
    – E por que seus amigos querem matar a Dilma?
    – Porque ela tá fazendo coisas erradas.
    – Mas não é porque alguém faz alguma coisa errada que devemos matar a pessoa. Nós temos que ensinar as pessoas a fazer do jeito certo, né?
    – É, senão os parentes dela vão chorar…
    – É.
    Levei meus filhos na escola. Conversei com a coordenadora pedagógica. Ela vai tomar providências.

    Estive em silêncio na rede, pois tenho visto que a polarização crescente não representa meu sentimento sobre as coisas que estão ocorrendo e que a complexidade do tema é, na maioria das vezes, colocada de lado por paixões e adjetivações que eliminam as argumentações sólidas. Mas, de repente, vejo o fascismo entrar em minha casa, e pela porta da frente.
    Me pergunto onde está o cuidado dos pais em formar cidadãos que compreendam o mundo além de sua percepção individual. Cidadãos que tenham consciência de que o outro é importante e existe. Com contradições, erros e acertos. Que o outro é diferente e, na diferença, se constrói uma sociedade melhor.
    Não sou mulher, mas posso compreender sua luta por igualdade de gênero.
    Não tenho deficiências, mas entendo as dificuldades pelas quais eles passam em nossa sociedade.
    Não sou negro, mas vejo a discriminação velada do brasileiro.
    Não sou gay, mas posso enxergar a violência a que são submetidos.
    Meus filhos podem ser o que quiserem. Ele quer ser paleontólogo, ela, bailarina, mas, estejam certos, vou fazer de tudo que estiver ao meu alcance para que não sejam CANALHAS.
    E viva a democracia!

    • É o que tenho pensado e dito – podemos até dizer que crianças não devem saber ou pensar em política. Mas quando o assunto está tão presente em todas as conversas, não há como evitar. Então é melhor tomar a frente e fazer a educação para a cidadania em casa.

      Obrigada por sua contribuição.

  • Muito boa iniciativa, é urgente que ensinemos aos nossos filhos a importância de se interessar pelo funcionamento do país e de saber conviver com opiniões diferentes. Só tem uma coisa: a explicação que um dos pais deu sobre “pedalada fiscal” está errada. Não se trata de “usar o dinheiro de uma coisa para outra”. Para explicar para uma criança, eu diria o seguinte:

    “Imagina que, no dia 3, eu tenho que fazer compras para a gente poder almoçar. Mas eu tive uns problemas e não tenho mais dinheiro na minha conta. Então, vou pegar o dinheiro que estava guardado para pagar a conta de luz, que cai no dia 7, pois sei que vou receber meu salário no dia 6 e poderei repor o dinheiro no tempo certo. A ‘pedalada fiscal’ foi isso: o governo estava sem dinheiro para pagar os benefícios sociais que impedem milhões de pessoas de passar fome, então usou um dinheiro que estava guardado para outra coisa para impedir que essas pessoas ficassem sem receber na data normal. Alguns dias depois, o governo repôs o dinheiro de onde ele tinha tirado. É como se o governo tivesse emprestado dinheiro para si mesmo, não tem nada de realmente escandaloso nisso. Aliás, outros governos, como o do Estado de SP, fizeram a mesma coisa.”

  • Olá

    Admirei muito este site.

    Beijos!

    Shame On You do shameonyoublogueira.com/intelimax-iq

  • Adorei. Faço parte de um projeto para ajudar as pessoas a entenderem política e vamos compartilhar esse artigo na nossa fanpage https://www.facebook.com/politicadeAZ/

    • Agradeço o compartilhamento e parabéns pelo projeto!

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