Mulheres e mães criam carreiras flexíveis para conciliar trabalho e maternidade

Elas são mulheres profissionais que decidiram criar uma forma de equilibrar carreira e maternidade. Para isso, elas tem mudado de rumo profissional, outras até de carreira, todas abriram mão do trabalho convencional de 8h para viver o ideal de maternidade que acreditam. Com suas histórias reais, essas mulheres mostram novas formas de administrar suas carreiras sem perder o cuidado próximo com os filhos.

Mulheres e mães criam carreiras flexíveis para conciliar trabalho e maternidade
Especial,  Mãe empreendedora
7 de março de 2016

Advogada, editora, diretora de arte, designer, empreendedora, o que essas mulheres tem em comum não são as profissões, mas a decisão de flexibilizar seu trabalho para conciliar com o ideal de maternidade em que acreditam. Todas trabalham em um coworking materno em Curitiba, o Mamaworking. Elas são a prova real que muitas mulheres e mães estão construindo uma nova forma de relacionar trabalho e maternidade sem que uma área represente prejuízo a outra. Vamos conhecer 5 mulheres e mães e como elas tem feito para administrar maternidade e trabalho.

Não são histórias de facilidades e tranqüilidade, muito pelo contrário, desbravar novos rumos e possibilidades muitas vezes cobra o seu preço nas horas de sono, desgaste físico e muito exercício de adaptação e flexibilidade com suas próprias metas e planejamento. Mas a recompensa é estar ao alcance do filho quando o choro acontecer, ou quando o sono chegar. É saber que não abriu mão dos sonhos profissionais, mas com muita coragem decidiu abraçar carreira e maternidade com a mesma paixão e desejar profundamente que aos poucos mais aliados ajudem a estabelecer esse equilíbrio.

Cada uma dessas mulheres tem seu próprio percurso profissional. Algumas precisaram adaptar a carreira a chegada dos filhos, outras precisaram mudar de carreira para encontrar o espaço que precisavam para a maternidade. A certeza é que para nenhuma delas o dia a dia é fácil. O que as move é a crença verdadeira que estão no caminho certo.

Encontrando nova rotina de trabalho depois do filho

 

thais

Thais Scaglione é designer e mãe do Joaquim de 11 meses. Sua história mostra como sua família e sua empresa se adaptaram a chegada do bebê. Ela é sócia proprietária, junto com seu marido da empresa Estúdio SemDublê. Eles trabalhavam em home Office antes da chegada do Joaquim. Cuidavam de forma remota dos funcionários terceirizados e se organizavam muito bem dessa forma. Mas, depois do Joaquim, a rotina precisou ser adaptada. “ Teve um dia que olhamos um para o outros, os dois estavam brincando e cuidando do Joaquim, então perguntei: E quem está cuidando da empresa¿” Foi a partir desse dia que buscaram uma nova rotina. Como Thais não quis colocar o bebê numa escola, optou por trabalhar no Mamaworking. “Passamos a manhã junto em casa e de tarde venho trabalhar no coworking. Isso organizou nosso trabalho”.

Thais conta que nos dias de maior demanda de trabalho, fica mais horas com o Joaquim no Mamaworking. Ela e o marido se revezam em quem fica em casa e quem vai trabalhar no escritório coletivo. O ganho foi de qualidade de vida, proximidade e capacidade de trabalho também. Bom pra todo mundo!

Planejando o negócio e a nova vida

Juliane

Juliane Okabaiasse trabalha com concentração máxima ao lado do esposo em uma das mesas do Mamaworking. Ela está em sua “hora de ouro”, um termo que ela mesma criou para nomear aquele período que sua filha está sendo cuidada pelas profissionais do coworking ou dormindo. “É o momento que separo para fazer o que tem de mais importante no dia ou que exija maior concentração. Desligo todas as redes sociais e foco no trabalho a ser feito”, define. Essa administração eficiente do tempo é fruto de muitos anos de trabalho em Home Office como advogada. Ela tinha um escritório para receber clientes, mas trabalhava de forma remota, ainda antes de ter sua filha.

Quando chegou a Maria Julia, Juliane achou que conseguiria manter a mesma rotina de trabalho que tinha antes da bebê. É claro que a história não foi bem assim. “Quando me dei conta estava num estado crítico de cansaço e como conseqüência comecei a enfrentar muito problemas familiares”.

O desejo pela mudança de rotina  trouxe também uma mudança de rumos profissionais. Juliana decidiu deixar a advocacia de lado e está na fase de implementação de uma loja física de produtos infantis diferenciados, a Garimpê. Ela decidiu seguir a tradição da família que é toda de empreendedores. “Estou na loucura de lançamento do novo negócio, mas ainda faço alguns serviços como advogada. Estou literalmente na transição da carreira”, conta Juliane.

“O mais importante é saber ser flexível inclusive com suas metas diárias. Se as coisas não saíram como você planejou, ou seja, se a bebê não dormiu como o previsto, não insista. Não se force a fazer algo que não está funcionando. Mude seu planejamento”

Carreira, maternidade e propósito

Claudia Trabalho e Maternidade

Juliane não é a única que deixou de ser advogada para mudar de carreira. A Claudia Kubrusly Mussi, também trocou a advocacia por uma nova carreira profissional. Ela encontrou nos livros a realização profissional que buscava, formatou um novo negócio que atende suas necessidades de horários flexíveis, e principalmente, de um trabalho que tenha um propósito maior no mundo. Claudia é fundadora da editora Voo, que tem como princípio só publicar livros que inspirem transformações.

“Eu buscava uma carreira que me desse algo mais”, conta Claudia. Sua primeira opção foi trabalhar em casa contando com a ajuda de uma babá para ajudar no dia a dia de seus dois filhos, Antonela e Lorenzo. Mas a opção de trabalhar no coworking materno veio suprir a necessidade de contato com outras crianças que ela percebia em sua filha mais nova.

Hoje ela organizou seu horário de forma que pela manhã consegue estar com os filhos em casa e no período da tarde vai para o escritório coletivo. “Essa rotina é perfeita para mim, tudo que preciso é de um computador com uma boa internet. Posso trabalhar bem de qualquer lugar com wi-fi”.

Da indústria para a Yoga

Suzana - trabalho e maternidade

Susana Casa Grande é talvez a mãe que mudou mais radicalmente de rumos profissional para exercer a maternidade como sempre sonhou. Ela trabalhava para uma indústria como vendedora, fazia muitas viagens durante o mês. Com a chegada da Lila, Susana decidiu unir um desejo pessoal com as novas necessidades de rotina e buscou formação em Instrutora de Yoga e Doula. Hoje ela já está apta para dar aulas de Yoga e faz treinamento como Doula.

“Hoje eu tenho a flexibilidade que eu queria para estar perto da minha filha e ainda me realizar profissionalmente”.

Outra forma de exercer a mesma profissão

HR - Juliana Cavalher

Mas nem todas precisam mudar de rumo profissional para ter flexibilidade. Algumas profissionais fazem apenas adaptações. Esse é o caso da diretora de arte Juliana Cavalher que trabalhava como analista de marketing para uma empresa e fazia alguns trabalhos freelancer. Ela tentou colocar a sua filha Duda em uma escola infantil, mas a adaptação estava sendo muito difícil. Quando Juliana percebeu que sua filha estava sofrendo com a nova rotina, não pensou duas vezes, largou o emprego fixo para trabalhar como autônoma no Mamaworking e poder estar ao lado da filha sempre que ela precisar.

“Eu estava me matando por dentro com aquela situação, agora estou mais tranqüila em estar perto da Duda”, conta Juliana.

É preciso garra e coragem para conciliar trabalho e maternidade

Essas foram algumas das histórias reais que representam milhares de mães pelo mundo que tem inventado novas formas de trabalho, novas rotinas e até novos trabalhos, para conciliar maternidade e vida profissional. Esse nunca foi um caminho fácil, ainda mais no modelo de sociedade, divisão de tarefas e cobranças, que vivemos hoje. Mas, cada vez mais histórias como essas são reais. Cada vez mais mulheres reinventam soluções e abrem caminhos para novas histórias reais.

Qual tem sido a sua forma de conciliar trabalho e maternidade?

Grace  I. Barbosa ─ Mãezíssima

Grace e Julia perfilIdealizadora e fundadora da Mãezíssima. Mãe da Julia, jornalista, escritora e empreendedora. Aprendendo todo dia a ser uma mãe possível. Amante das boas histórias e de compartilhar conhecimentos que realmente fazem a diferença na vida dos leitores.

posts relacionados

2 Comments

  • Acho que encontrei o meio que me identifico e que poderá me ajudar a achar essa solução para conciliar necessidade profissional e doação materna. Estou na fase mudar de profissão e empreender. Mas no que? Separada e extremamente precisada em compor minha renda básica.

    • Oi Andrea, não é um momento fácil. Já estive nele também. Posso dizer com a minha experiência que quando temos uma necessidade imediata, o mais importante é suprir essa necessidade financeira com algo que você possa produzir e vender imediatamente. Quando conseguir “colocar a cabela pra fora d’água” , daí é o memento de planejamento e estruturação.
      Você cozinha? Faz arte? Presta um serviço de forma excelente? Conhece um grupo de pessoas com uma necessidade, um problema, que VOCÊ pode resolver?
      Essas respostas vão te mostrar por onde começar.

      Um grande abraço e boa sorte na caminhada

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *