Pedalar e Slingar

Um estilo de vida, a construção de uma outra relação com a cidade, uma nova sensação para seus filhos. Que tal pedalar e slingar?

Pedalar e Slingar
Brincar,  Sem categoria
9 de setembro de 2013

Sabe aquilo que você sempre achou impossível fazer e do nada vem alguém e faz dizendo que é super fácil e prazeroso? Duvido você conversar com a Elenice Guimarães e não perceber que um novo mundo de possibilidades se revela aos seus olhos. Com naturalidade e atenção à segurança, Elenice começou esse novo movimento com as mamães de bebês em Curitiba: o pedalar e slingar.

Esse post levantou uma grande polêmica em torno do tema. Conheça também a opinião de quem é contra Slingar e Pedalar.

Pedalar e Slingar

Elenice e Tulasi – imagem Evary Leal

O princípio é simples. Você precisa de um sling wrap e uma bicicleta. Para praticar você precisa dominar a arte de amarrar o sling e saber andar de bicicleta. Depois disso “é só subir na bike e ir experimentando a pedalada com o sling, até adquirir confiança”, orienta Elenice.

Elenice é mãe de duas meninas, a Sofia, de 4 anos, e a Tulasi de 1 ano e meio. As primeiras experiências do pedalar e slingar começaram com a Sofia bebê, com três meses de vida, num passeio no parque.

– Estava num passeio e resolvi experimentar pedalar com a Sofia no sling. Então eu vi que era fácil e que a sensação era muito boa. Você se sente empoderada e traz uma grande confiança, uma autonomia maior.

Depois que nasceu a Tulasi, Elenice resolveu boicotar o carro de vez e colocar as duas na bicicleta para se locomover pela cidade, sempre que possível.

Pedalar e Slingar

Elenice e Sofia – arquivo pessoal

– Cansei de ouvir elas chorando no banco de trás. E sempre que dormiam no carro era um problema para eu conseguir leva-las até o apartamento. Um dia decidi encarar a bicicleta com as duas. Queria ver se era possível para mim, ter o peso extra de duas crianças (a menor no sling e a maior na cadeirinha de trás). E deu super certo. Elas amaram! Acabou o choro e o trajeto virou um passeio. Eu percebo que elas começaram a ver a cidade realmente. A Tulasi aponta quando vê um passarinho ou cachorro. E a Sofia já reconhece quando estamos chegando perto da casa da vovó. Com certeza é um esforço físico a mais, porém me realiza muito. Além de ser um exercício me faz sentir mais segura como mãe. Eu dou conta!

Elenice já era ciclista “desde sempre”, como ela mesma diz. Nascida em uma cidade do interior, sua relação com a bike sempre foi de confiança. “Eu nunca caí, nem sozinha, nem com as meninas”. Quando se mudou para Curitiba manteve a paixão por pedalar. Hoje, Elenice e o companheiro, como ciclistas e ativistas, estão envolvidos na busca por tornar a cidade mais amigável a bicicleta e aos ciclistas.

A tensão entre o carro e a bicicleta é a única preocupação dela quando sai para pedalar e slingar. Você precisa seguir as mesmas orientações que qualquer ciclista e, além disso, manter sempre uma velocidade baixa. “Você não pode querer fazer nada na correria”. Se isso já é uma regra pra quem tem criança pequena, com a bike vira regra de ouro!

– Mas o mais importante é que pedalando e slingando você está pensando a cidade de uma maneira diferente e, principalmente, está alimentando em seus filhos essa nova cultura de que não existe só um meio de se locomover. Crianças agem por imitação, então que exemplo de relação com a cidade você está dando aos seus filhos?

Pedalar e Slingar

Elenice e Tulasi – imagem Evary Leal

Dicas para você começar a pedalar e slingar

1º – Sinta-se segura usando o sling wrap – Esse modelo é aquele sem a argola, onde a mãe amarra a criança junto ao corpo.

2º – Sinta-se segura andando de bicicleta.

– Comece a pedalar e slingar em parques ou trajetos curtos e seguros. Adquira confiança. Depois comece a explorar a cidade!

Pedalar e Slingar

Elenice e Tulasi – imagem Evary Leal

Dicas de segurança

– Escolha horários e rotas seguras para pedalar e slingar. Se possível use a ciclovia

– Prefira ruas com menor fluxo de carros.

– Mantenha a velocidade baixa.

E atenção, pedalar e slingar tem alto poder viciante! Vamos vivenciar a cidade e a maternidade de uma forma limpa, econômica e extremamente prazerosa!

Se você quiser conhecer mais sobre essa atividade,  neste sábado acontecerá o Slingando e Pedalando – Passeio de bicicleta para mães e pais com seus filhotes – Mais informações no link. 

Você passeia de bicicleta com seus filhos? Já tentou pedalar e slingar? Conte pra gente!

 

Post em apoio ao Mês da Bicicleta!

cicloiguaçu

 

 

 

 

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9 Comments

  • achei demais! Amo pedalar mas recentemente tive meu pequeno Evan. A partir de que idade tu recomenda? Com o sling de argola tbm rola? Beijos e linda iniciativa!

  • Li a materia ‘pedalar e slingar’ e decididamente não concordo com a exposicao e inconsequencia de levar um bebe na bike pelas ruas no sling.
    Sou ciclista, minha esposa eh ciclista e minha filha (com 3 meses) provavelmente sera ciclista. Hoje levamos nossa filha no sling, mas jamais na bike.
    Para ir na bike ela precisarah ter o corpo firme, irah em uma cadeira de protecao e usara capacete, assim como nos usamos.
    O habito de nao se contar com o imponderavel tal como um buraco maior, um carro ou mesmo um outro ciclista ou pedestre distraido eh que torna as pessoas irresponsaveis.

  • Bom…
    Sempre é difícil para qualquer ser humano, receber com positividade algo que o faça sair da situação (confortável). Digo de pensar, de rever conceitos, de repensar, de realmente olhar, resumindo; de sair fora da caixa.
    Desde que nascemos e partimos para vida adulta, existe uma cultura forte de programação mental implantado pelo o que chamamos de sociedade…
    Apenas os com tendências rebeldes tem a coragem… E ainda bem. Pois sem os rebeldes não haveria evolução neste mundo. É quando um desses toma a iniciativa e rompe com a programação, cria um atrito e novas possibilidades surgem (para melhor).
    Parabéns pela iniciativa e seja forte, pois muitos não querem sair da caixa (existe um conforto ilusório). Mas tua vantagem é que você está no corpo, está na pratica, está no coração (intuição) e não somente na cabeça (lugar especifico de quem vive programado).

    Abraços e boas pedaladas para família.

  • Olá,

    Carregar bebê de colo ao pedalar é infração de trânsito. Está no CTB (Código de Trânsito Brasileiro):

    CTB, Artigo 244
    § 1° Para ciclos aplica-se o disposto nos incisos III, VII e VIII, além de:
    item c) transportar crianças que não tenham, nas circunstâncias, condições de cuidar de sua própria segurança.

    Apesar de nós ciclistas e de vocês mães ciclistas acharmos a iniciativa super “bonitinha”, eu entendo porque é uma infração. Se o risco de lesão grave ou morte em um acidente no trânsito para um ciclista já é grande para um adulto, imaginem para um bebê dessa idade.

    E o risco para o bebê é grande mesmo que não seja um acidente envolvendo carros. Pode ser em uma queda banal, daquelas em que o ciclista está parado e “cai de bobo”, porque desequilibrou do nada. Nesses casos, que em geral para adultos provocam apenas uns hematomas e uns arranhões, para um bebê dessa idade pode matar ou deixar sequelas permanentes. Olhem a moleira! Olhem a posição do bebê com a coluna cervical para baixo que, em uma queda banal, tem mais probabilidade de bater com a coluna em um meio-fio, ou cair de cabeça no chão, ou ainda com a cabeça entre o quadro e a roda da bicicleta. Etc. E olha que até com ciclistas experientes eventualmente acontece de “cair de bobo”, sem explicação. Não é raro acontecer.

    Então, por mais “lindo” e “inspirador” que isso seja, eu acho que é irresponsabilidade desse site publicar uma matéria incentivando uma infração de trânsito que é um risco para os bebês. Em meio a campanhas nacionais para o correto transporte de crianças das formas como a lei manda, por que para ciclistas poderia ser diferente? Esse comportamento “lindo” é uma infração. Ao publicar uma matéria assim, é sim de responsabilidade do meio de comunicação informar ao leitores no próprio corpo da matéria, que o comportamento mencionado é uma infração de acordo com o CTB e que não deve ser incentivado.

    • Olá Marnes, o Art. 244. aplica-se para motocicleta, motoneta e ciclomotor: E não bicicletas. Mais informações no link:http://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/91797/codigo-de-transito-brasileiro-lei-9503-97#art-244

    • Oi Grace Barbosa,

      Sim, o Artigo 244 inicia referindo-se a motocicletas, motonetas e ciiclomotores.

      Mas, um pouco adiante, ainda no mesmo artigo 244, o seu § 1° (parágrafo primeiro) refere-se a ciclos, nos quais bicicletas estão compreendidas (de acordo com o CTB).

      Na minha mensagem, eu me referi justamento ao § 1°.

      De acordo com esse parágrafo primeiro, especialmente ao seu item c), pedalar carregando crianças de colo é uma infração. Podes consultar no próprio link que tu me mandaste.

    • Marnes
      ninguém está querendo ser ‘bonitinho’ ou propor uma coisa que sirva de regra para todos . . . se vc não percebeu o texto é um tipo de relato de UMA pessoa que faz isto, que nunca teve problemas de queda ou coisa parecida, que sempre se sentiu confiante em pedalar nas ruas e nos caminhos (onde existem) . . . a grande insegurança para todos os ciclistas que utilizam a bici pra transportar seus filhos (em bicis cargueiras, nas cadeirinhas ou no sling com os mais pequeninos) é a falta de respeito, espaço e infra-estrutura. Este é o ponto do texto e o debate deveria ir neste caminho e não reforçar este afã de censurar e recriminar práticas ou hábitos que com os quais podemos discordar. Na Holanda é comum ver as crianças nas bicicletas – pais com sling, cadeirinhas, mas o mais frequente são as cargo bikes, com as caixas na frente. O site em questão está fazendo um trabalho muito bacana de trazer discussões, não somente neste tema, mas em muitos outros. Vamos buscar mais respeitos e um trânsito que priorize as nossas crianças.
      Mas tá certo, somos utópicos, sonhadores e idealistas né? É tudo muito ‘bunitinho’, melhor entrarmos no carro e esquecermos logo tudo isto 🙁
      Um viva às utopias!!
      http://vadebike.org/2013/09/animacao-sao-paulo-movida-a-bicicletas-pauliceia/

  • Parabéns Elenice. É realmente uma conquista. Usar a bicicleta como meio de transporte é totalmente diferente da pedalada esportiva ou de aventura. Com crianças pequenas então é mais tranquilo e lento. Eu e minha esposa pedalamos e slingamos com os nossos dois filhos e sempre foi muito tranquilo para nós e para eles ( que geralmente até dormiam).

  • Eu fico realmente muito triste em saber que existe uma lei que proíbe carregar crianças em bicicletas, estamos todos infringindo então, pois vende-se livremente cadeirinhas em todos os estabelecimentos que se vende bicicletas e artigos para se utilizar na bici. Fico mais triste ainda em perceber que o poder público, a justiça, a sociedade em geral cada vez mais limitam o ser humano em suas liberdades, em suas capacidades de explorar o próprio corpo, outras possibilidades de se locomover, de se perceber, de sentir (não quero fazer uma comparação, mas a proibição do uso de drogas é uma dessas limitações que nos são impostas, não estou fazendo apologia gente, mas o ser humano é cada vez mais limitado em suas escolhas, e, algumas drogas, como a maconha, podem até ser medicinais e servir para abertura de consciência).
    Cada vez mais quererem nos programar, nos motorizar, nos forçar a ser robôs, remédios para dormir pode, para acordar pode, para não ficar nervoso pode, para não ficar triste pode, assim vamos ficando cada vez mais dependentes do que a indústria nos vende e lucra em cima de nós, um baseadinho que podemos plantar em casa não pode.
    O mesmo digo em relação a carregar uma criança dentro do carro ou carregar uma criança em cima de uma bicicleta, colocar ela amarrada atrás do carro assistindo a um dvd, respirando poluição, participando de uma das coisas que colaboram para esta poluição, e, de uma das coisas que está de alguma maneira ‘sufocando’ o mundo pode, afinal estamos dando lucro para as grandes indústrias automotivas. Andar de bicicleta com uma criança, fazer com que ela sinta o mundo, o vento, até escute os passarinhos, que ela perceba seu corpo em movimento e uma nova maneira de se locomover, sem poluir, sem destruir o ar, não pode. Não podemos ter autonomia sobre nós mesmos, acredito que todas as pessoas que plantam em casa e usam sua planta tem total consciência do que está fazendo, acredito que qualquer mãe que slingue de bicicleta com o filho ou o carregue na bicicleta tem total consciência do que está fazendo, irá tomar mais cuidado, ira por caminhos alternativos, irá devagar, saberá a hora de parar e andar empurrando a bicicleta se for necessário. Parabéns pela inciativa Elenice, pela coragem, eu também ando com meu filho de bicicleta e quero ensiná-lo que ele pode ter esta alternativa, que ele pode usar o equilibrio, o corpo e sentir o prazer de andar de bicicleta ao invés de ficar fechado dentro de um carro, respirando a poluição, trancafiado e parado em um trânsito horroroso. Quero que ele descubra isso já na infância, que ele não fique a todo momento dentro de um carro para que quando tiver 18 anos queira dirigir um e tirar sua carteira, comprar um carro para poder se exibir por ai. Quero que ele veja que a bicicleta pode ser muito mais saudável, que caminhar é preciso também e que não só é charmoso abrir mão do motor como é prazeroso e faz bem para a saúde!