A dor de exercer a maternidade. O que você faz com ela?

Se me permitem, gostaria de chamá-las de queridas. Queridas mães que lêem esse blog. Meus textos tem se tornado cada vez mais pessoais ultimamente. Podem ser os hormônios da gravidez que me deixam assim.... mais sensível. Mas especialmente sobre esse tema, gostaria de falar com vocês como se estivéssemos numa mesa de café.

A dor de exercer a maternidade. O que você faz com ela?
Especial,  Ser mãe
17 de março de 2017

Queridas, quantos textos sobre maternidade real você já leu nas redes sociais? Mães blogueiras, escritoras, articulistas, desconstruindo a imagem da maternidade “comercial de margarida” e fechando com a hastag #maternidadereal. Eu também adoro essa tendência. Adoro ler que outras mães sofrem os mesmos medos, erros, dificuldades que eu. Super me divirto com alguns depoimentos lembrando de como eu mesma já passei por aquela situação exatamente da mesma forma. Sem dúvida, essa forma franca de falar sobre maternidade é o que melhor tem surgido nas redes sociais.

Mas eu gostaria de ir um pouco mais além com vocês. De que adianta falar sobre as nossas dores da maternidade, se não sabemos o que fazer com elas, ou como usá-las para ir além, crescer, amadurecer na função que escolhemos exercer.

A maternidade é cheia de desafios diários, muitos deles nos geram grandes dores. Sofremos com a frustração de não saber como lidar com todas as situações do dia a dia. Sofremos pelo cansaço, pela amamentação, pelo pós-parto, pela dificuldade de reorganizar os papéis e funções de pai e mãe depois da chegada do bebê, por não termos o controle de tudo, o tempo todo. São dores da maternidade que vivemos diariamente, em menor ou maior grau. Com ou sem apoio. Sozinhas ou entre amigas. Dores que precisam ser faladas, divididas, até mesmo com a #maternidadereal. Mas também dores que precisam ser usadas para nos fazer ser mães melhores, mais generosas, mais fortes, mais sábias, com mais empatia para com outras mães e para com nossos filhos.

Sobre esse assunto, assisti a uma palestra com a Neuropsicóloga Ana Amália Gandour, sobre a Dádiva da dor, onde ela falava: a dor nos deixa mais fortes, se deixamos ela fazer seu trabalho.  E o trabalho da dor no corpo, ou nas emoções, é chamar atenção para uma determinada área que precisa de mais cuidado. “A dor pode nos levar para a sabedoria e maturidade, ou ao desespero e alienação. Depende como você encara sua dor”, disse Ana.

Ok, sabemos que a maternidade real é difícil, dolorosa, nos põe em contato com sentimentos e emoções que normalmente não encararíamos. Mas o que vamos fazer com esse sentimento? Vamos esconder para debaixo do tapete? Não. Vamos reclamar aos quatro cantos (ou em muitos post no facebook), mas quando chegar em casa ligar a TV e fingir que está tudo bem, afinal todo mundo passa por isso? Vou ver meu filho comendo mal e não vou fazer nada para mudar seu hábito sabendo que isso trará conseqüências a vida dele, porque (tadinho) ele gosta mesmo é de batata frita e nuggets. Vou aguentar birras e desrespeito sem tratar a educação afinal, crianças são assim mesmo? O que vou fazer com as dores que tenho sentido?maternidade real

A doutora Ana concluiu sua palestra com três formas de lidar com a dor para que ela gere crescimento. A primeira forma é encarar a dor com resiliência. Conhece a frase: criar uma criança é até fácil, já educar dá muito trabalho. Para nós mães e pais, educar nos causa dor, porque amamos tanto nossos filhos que não gostaríamos que eles ficassem tristes. Gostaríamos de apenas dar coisas boas, mas para educar, muitas vezes precisamos dizer não e sem abrir concessões. Nessas horas é preciso resiliência, garra para não desistir mesmo quando estiver doendo. Suportar os comentários de quem não está perto o suficiente para ver seu amor e cuidado com seus filhos.

Precisamos encarar a dor como esperança. Sabe qual a maior fonte de esperança? Nossas amigas, mães, maduras, sábias, que já passaram pelo que passamos e tem uma palavra de conforto e acolhimento quando mais precisamos. Nossa rede de apoio que segura nossas pontas quanto a situação está no limite. Pessoas que são verdadeiros anjos na nossa vida e nos ajudam a lidar com nossas dores e crescer com elas, e não apenas dizer que é assim mesmo.

Por fim, precisamos encarar nossa dor com fé.  O mesmo Deus que nos fez mãe, nos fará passar por todos os desafios e dores da maternidade, saindo das situações com coisas muito melhores do que antes. Sendo mães mais seguras, fortes, confiantes no futuro, amorosas com nossos filhos, prontos para desafios maiores que certamente virão.

A maternidade realmente não é apenas flores, mas mesmo nos momentos mais reais, onde estivermos sofrendo nossas piores dores, podemos encontrar resiliência, esperança e fé para seremos mães melhores. Cada dia melhor, não para nos acharmos superiores que outras, mas para acolher e aconselhar quem está iniciando o percurso que já vencemos.

O que você tem feito com sua dor?

Grace  I. Barbosa ─ Mãezíssima

Grace e Julia perfilIdealizadora e fundadora da Mãezíssima. Mãe da Julia, jornalista, escritora e empreendedora. Aprendendo todo dia a ser uma mãe possível. Amante das boas histórias e de compartilhar conhecimentos que realmente fazem a diferença na vida dos leitores.

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2 Comments

  • Quero aprender!!!!!

  • Texto perfeito. Por mais empatia com as cores alheias.

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