Das coisas que NÃO contamos às mães de 1ª viagem

Depoimento honesto sobre os "perrengues" que as mães passam, entre eles a depressão pós-parto. Por Carol Siloto Silva

Das coisas que NÃO contamos às mães de 1ª viagem
Especial,  Ser mãe
26 de agosto de 2014

Esses dias encontrei uma amiga que não via a bastante tempo e papo vai, papo vem, começamos a falar sobre maternidade. E ela me contou das dificuldades que enfrentou com a chegada de sua primeira bebê. Parecia que ela estava narrando a minha própria experiência. Em um momento da conversa, ela vira e me pergunta: Porque ninguém conta isso pra gente?

 Isso me fez pensar. Repensar. Ruminar. Voltei no tempo e comecei a lembrar como foi comigo. As dúvidas, os medos, as inseguranças. Os sentimentos a flor da pele, confusos. Comecei a pensar sobre  as mentiras que contamos às mães de primeira viagem. E olha que não são poucas!

A bem da verdade é que essa mentiras fazem parte de um “pacto materno”. Afinal, difícil achar quem queira ouvir a realidade nuaecrua do tipo:
  • amamentação

    Imagem: Elis Alves

     Não se preocupe com o parto, querida!. É valsinha perto do heavy metal/punk/hardcore que é a amamentação;

  • No começo o bebê vai chorar e você não vai ter ideia do que seja. É capaz de ralar o peito de tanto dar de mamar à um bebê que não está com fome, e sim, encocozado (sim, eu fiz isso!)
  • Você vai ter vontade de chorar a cada choro do bebê;
  • Essa também que, você que é mãe, deve estar lembrando agora.
Brincadeiras a parte, eu fui atrás de fazer a lição de casa. Curiosa do jeito que sou, ficava cutucando minhas amigas já experientes no papel de mamães para saber dos detalhes, inclusive daqueles que ninguém te conta. E me preparei para eles. Mas qual não foi a minha surpresa quando, mesmo já tendo ouvido bastante coisa, me deparei fazendo/passando/sofrendo/chorando por tudo aquilo (e muito mais)?!
mãe

Selfie da Mãezíssima Carol

O fato é que maternidade não se ensina, se vive! Não se aprende, apanha! Não é teoria, é prática! E acredito que seja a mistura do light com o heavy que a torna algo único nessa vida! Afinal, onde mais você vive emoções tão conflitantes DI-A-RI-A- MEN-TE?

E além das verdades que citei acima, e esse é o motivo desse post, existe uma realidade presente em pelo menos entre 50% a 80% das mães na primeira semana após o nascimento do bebê. Cerca de 15% das mulheres no mundo desenvolvem a forma mais severa. Estou falando da depressão pós-parto.
Meu objetivo não é, de forma nenhuma, tratar da questão clínica. Para isso existem os médicos. Meu objetivo é desmistificar a ideia de que isso só acontece com as outras. Tirar a idéia de que, se você passa por isso, você não é uma boa mãe, pois foi exatamente isso que eu senti.
Logo após o nascimento da Isabela, minha primeira filha, eu sentia uma sensação de tristeza, de impotência, sempre no início da noite. Acho que, na correria do dia-a-dia com um bebê RN, não notava esses sentimentos. Só percebia quando o ritmo diminuía, quando meu marido chegava e me  ajudava. E Graças a Deus pelo João!!!
A depressão que tive se enquadra nos 50% a 80% que descrevi acima. Tratava-se de uma melancolia relacionada a perda do controle que tinha sobre meus horários, meu sono, meus peitos… Claro que eu sabia que existia a questão hormonal, e patati e patatá…
Mas a verdade é que quando eu me deparei com esses novos sentimentos eu “surtei de leve“, vamos assim dizer, e me cobrava. Eu questionava porque não estava vendo o mundo cor-de-rosa que todo mundo falava. Entenda, eu amei minha filha desde antes de conhecê-la, mas quando me deparei com um serzinho que usava o choro para se comunicar, ficou difícil achar que não era pessoal:
  • Será que sou boa mãe?
  • Será que estou fazendo a coisa certa?
  • Deveria ter feito enfermagem, não Administração!
mãe

Imagem: Elis Alves

Em meu mundo cor-de-rosa imaginário, o amor pela minha filha iria resolver cada conflito, responder cada dúvida. Era como se ele fosse a solução de tudo. Mas o amor é o meio, é o modo. A experiência é a solução. E ela só vem com o tempo. Mas a boa notícia é que ela, assim como o amor, crescem a cada dia!

Com meu segundo filho eu achei que seria tranquilo porque já tinha conhecimento dos sentimentos que vêem junto com a chegada de um bebê. Mas como já disse, maternidade não se ensina, se vive! Não se aprende, apanha! Não é teoria, é prática! Independente de quantos filhos tenha. O fato é que com o nascimento do Davi senti as mesmas coisas. E até aí, tudo bem. Mas quando ele estava com 1 mês e meio e eu estava mergulhada na rotina de criação de dois filhos, aconteceu uma briga envolvendo família. E isso mexeu tanto comigo a ponto de fazer meu leite secar por três dias. Quem me conhece sabe que é realmente difícil algo me “pegar”.Mas porque agora foi diferente?
Foi então que percebi, e tive que aceitar, que estava sim com depressão pós-parto, mesmo já tendo se passado um mês. Se eu perdi meu prumo é porque algo não estava bem e essa situação só desencadeou o processo. Foi isso que eu entendi depois que tudo passou. Foi importante eu mesma desmistificar a depressão para lutar contra ela. Meu médico ajudou muito. Mas falar sobre ela me ajudou a colocá-la no lugar, estabelecer quem manda em quem.
Acredito que a depressão pós-parto deva ser discutida e esclarecida de forma transparente e honesta. Não só pelos médicos, mas por nós também, mães, irmãs, amigas e pais, por que não. Aliás, um dado importante para os papais: é comum que pais também tenham sintomas de depressão em 25,5% dos casos.  A depressão masculina tem origem nos sentimentos de exclusão diante do dia-a-dia da mãe com o bebê.
Nessa blogosfera materna agente encontra muita cobrança, muitas comparações, muito julgamento, mas encontra muita coisa boa também. E quero deixar aqui uma dica ótima para as amigas, mães, irmãs, tias, primas, pais,… que li (infelizmente não consigo me lembrar onde): deem de presente para uma mamãe de bebê duas horinhas de sono!
Só descanso. Sem comparações, sem julgamentos. Quem é mãe sabe bem como isso ajuda!E também porque dormir faz muito bem!
* Dados estatísticos daqui e daqui

Carol Siloto Silva

Carol Siloto Silva - Autor MãezíssimaTrinta e poucos, esposa (apaixonada) do João e mãe da Isa e do Davi, nossos maiores tesouros! Também sou filha, amiga, irmã, dona de casa, psicóloga, decoradora, animadora de festas, empreendedora na Feito a Mãe, equilibrista! Mas afinal, quem não é né?

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2 Comments

  • Carol, finalmente leio algo honesto e humano a respeito da maternidade. Parabéns… e, acima de tudo, obrigada.
    Concordo com você que só sabemos o que experimentamos, e que por isso mesmo, é muito difícil se preparar para a maternidade. Mas de qualquer modo, em todas as situações da vida, quando somos honestas com nossos sentimentos, nos permitimos sentir e ser humanas, as coisas ficam menos difíceis.
    Sou mãe do Leonardo, um bebê alegre e saudável, com 1 ano e 2 meses. Sofri muito com tudo que a maternidade traz, e que você muito bem relatou. Sofri, principalmente, com os julgamento e comparações (incrível como algumas mulheres tem uma capacidade enorme de serem tão cruéis… uma pena…).
    Enfim, mais uma vez, sou muito grata por seu depoimento.
    FELICIDADES…
    Daniela.

    • Olá meninas, concordo plenamente com vocês…… e com você Daniela, concordo quando falaste das comparações e que realmente é incrível como algumas mulheres conseguem ser cruéis.
      Agora vou me abrir…. DETESTO ISSO.,….. “Porque meu filho mamou no peito até tal idade, porque meu filha caminhou com tal idade.”
      Como se todo ser humano fosse igual….
      Mas enfim, tenho procurado viver a minha maternidade.
      Tenho uma menina de 13 anos e um menino de 1 anos e 2 meses (sim uma enorme diferença!!!!!) Mas tem sido bem gostoso, apesar de alguns contratempos que podemos deixar para lá…
      Beijos no coração.
      Helena