Depoimento: Dores e alegrias do 1º ano de vida do bebê

Toda mulher enfrenta o desafio de tornar-se mãe e por isso o 1º ano de vida do bebê seja tão significativo. Nesse depoimento você irá encontrar a verdade sobre o que passa uma mãe no puerpério. Enviado pela Mãezíssima Julia Harger

Depoimento: Dores e alegrias do 1º ano de vida do bebê
Especial,  Ser mãe
18 de março de 2015

Durante nove meses eu me preparei mentalmente para compartilhar minha vida incondicionalmente com um novo ser. Eu também fiz o meu melhor para ficar pronta para um dos momentos mais esperados e mais difíceis da minha vida: o parto. Olhando para trás, a dor física de dar à luz parece insignificante em comparação com as dificuldades do inicio da maternidade, especialmente no primeiro mês.

Mãezíssima e bebê

Mãezíssima Julia Harger e sua pequena Dominique

Eu me perguntei como eu poderia ter deixado isso passar e o que eu poderia ter feito para estar melhor preparada para a maratona da maternidade. Mas agora percebo que não havia muito a fazer pois nada pode realmente nos preparar para tanto.

Durante as primeiras semanas eu chorei muitas vezes, imaginando o que iria acontecer comigo. Tenho a certeza de que não estou sozinha aqui, mães. Nem tudo o que eu aprendi de yoga nos últimos anos me foram muito úteis, devo admitir. O início da maternidade foi uma época em que eu me senti humana, completamente tomada pelas minhas emoções.

Eu tenho ficado mal humorada devido à falta de sono. Eu senti dor do meu corpo se curando. Eu chorei quando ela gritava. Eu pensei “de novo não!”, quando depois de 10 minutos de cair no sono, ouvi aquele gritinho de novo. Eu me encontrei despida de qualquer paciência, muito além do que eu imaginava. Na verdade, eu pensei: “Onde foi que eu fui me meter?” Eu pulei banhos por causa da falta de tempo. Me sentia horrorosa. Eu tinha minhas pernas com a depilação vencida todo o verão e eu tive que me acostumar com o meu novo corpo. Eu gritei de frustração dizendo “eu não sei o que você quer!”

Havia dias em que meu rosto não via um único sorriso. Eu odiava meu marido porque ele poderia fazer qualquer coisa sempre que ele queria – tomar banho, dormir, ir para uma corrida – enquanto eu tinha para planejar um cronograma inteiro só para escovar os dentes, ou então fazê-lo em dez segundos. Eu também se ressentia do fato de que ele poderia voltar para sua vida normal imediatamente e eu estava presa em casa. E sim… eu me senti culpada por tudo isso também.

E então veio a recompensa. À medida que os dias foram passando, eu comecei a me sentir mais feliz com pequenas realizações: quando ela sorria, quando ela parava de chorar, ou quando ela finalmente dormia. Eu ficava tão emocionada quando conseguíamos fazer uma troca de fraldas sem uma única lágrima ou quando eu poderia colocá-la no carrinho de bebê e ir para uma voltinha de 10 minutos ou fazer supermercado. Eu também ficava profundamente grata quando minhas palavras doces e delicadas conseguiriam acalmá-la, mesmo que ela estivesse loucamente gritando e mal podia me ouvir.

Eu também redescobri alegria nas coisas mais triviais – tomar água, tomar banho, um abraço apertado, um rápido bate-papo com um amigo, dormir (eu nunca fui boa de dormir – oh, como eu mudei!), a comida da minha mãe, o sorriso e o cheiro da minha filha. Eu amo e valorizo estas coisas muito mais agora!

Ahhhh a maternidade, o contraste entre devoção e empoderamento ao mesmo tempo. Minha vulnerabilidade deu lugar a força e resiliência a medida que eu percebi que era capaz de tudo isso. Eu não sabia que meu corpo era capaz de nutri-la tão perfeitamente. Meu abraço, meus braços e as minhas palavras podem transformar o grito mais alto em um sorriso tímido.

Meu cheiro – insinuando segurança – muda o seu rostinho completamente. E, de repente, eu de novo. Poucas semanas atrás, me perguntava quão rapidamente essa fase iria passar, mas agora eu espero que não passe tão rápido. Estou ansiosamente ciente de que essa dependência em breve passará e eu vou ter saudade do tempo em que tudo o que ela precisava era simplesmente EU.

Eu sou seu mundo. Eu sou o mundo. Eu sou o amor puro. A vida nunca mais será a mesma, e eu estou feliz por isso. Estou transformada.

Julia Harger é instrutora de yoga “em recesso”, pois está atualmente exercendo o trabalho de mãe. Brasileira vivendo em Sydney onde ensina Yoga e estuda Medicina Nutricional, ela também prepara e vende doces crudivoros. Defensora ativa da amamentação, parto natural & criação com apego, ela se vê cada dia mais inspirada e apaixonada pela jornada da maternidade enquanto aprende na luta diária que é a criação da sua filha Dominique, de 2 meses. Para se conectar, ela pode ser encontrada nas praias da Australia passeando com a Domi… ou alternativamente no seu instagram ou fan page do facebook.
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