O perigo de ideias lindas na teoria, mas opressoras na execução

Existem ideias lindas, amplamente divulgadas, amplamente defendidas, mas que são pouco questionadas quando começam a fazer feridas. Estou falando sobre algumas verdades que aceitamos quando somos mães, porque acreditamos que estamos fazendo o melhor para nossos filhos. E que mãe não quer fazer o melhor? Mas, na hora de pagar a conta, o preço para a mãe, para a família e por consequência para a criança acaba ficando muito caro.

O perigo de ideias lindas na teoria, mas opressoras na execução
Especial,  Ser mãe
22 de maio de 2014

Existem algumas ideias que andam me causando mal estar da forma como são apresentadas. Por exemplo: se tornar mãe empreendedora é a melhor saída para exercer uma maternidade consciente; cuidar sozinha dos filhos é a melhor coisa para a criança, é obrigação principal da mãe; creches fazem mal às crianças; todo seu tempo deve ser dedicado a sua maior prioridade: ser mãe.

O que é importante a gente ter em mente (às vezes é mesmo impactante se dar conta disso) é que tais ideias não são universais, não são nem mesmo consensuais entre os especialistas. Ideias sobre maternidade são históricas, construídas também de acordo com as tendências culturais. A maternidade sempre foi tema de teorizações, porque ela está ligada à própria reprodução da espécie. Então, a partir do momento em que os seres humanos entenderam a reprodução, passaram a querer controlá-la, ora para aumentar a população ora para evitar o crescimento populacional. Assim, convivemos há séculos com teorias sobre família e cuidados com os filhos, que variaram de acordo com as utopias dos períodos: ora as crianças foram vistas como soldados em potencial, ora foram teorizadas como sementes de um mundo melhor – e, geralmente, as mães são as principais responsáveis por fazê-las vir a ser o que as utopias pregam.

Por exemplo: a gente lê num texto ou outro que criação com apego (a partir de certa concepção de apego) é o melhor caminho para criar crianças mais felizes, textos que citam pesquisas acadêmicas e livros de especialistas, mas a gente não se dá conta de que existe todo o contra-argumento à essa teoria, dentro da própria ciência. Pois, a visibilidade desses debates em torno da maternidade varia muito de acordo com a cultura e a História do país ou grupo em questão. Se no Brasil somos empurradas a dois extremos (entre os que advogam que apego materno demais faz mal às crianças e os que defendem todo o apego materno possível), em outros países, como a França, há toda uma cultura parental que é favorável à circulação de bebês e crianças entre diferentes profissionais e instituições. Nesse país, o feminismo tem uma história mais longa e também influenciou os recursos que foram criados para facilitar a vida das mães e das cuidadoras de maneira geral.

Então, toda ideia sobre maternidade, e principalmente sobre modelos de maternidade, pode e deve ser colocada à prova. E qual é a melhor prova do que nosso próprio cotidiano?

Todo o peso sobre os ombros das mães

pai

foto – Elis Alves

Nenhuma das ideias que priorizam o bem estar dos nossos filhos são ruins, claro, mas elas podem esconder um dia a dia sufocante. Uma coisa é você produzir conhecimento sobre os melhores padrões de cuidado dos bebês, a partir de teorias do desenvolvimento e tal. Outra coisa é você transformar esses padrões em modelos que desconsideram os contextos reais das pessoas envolvidas. Dizer que bebês até dois anos precisam de cuidados individualizados e de atenção mais focada de um adulto cuidador é muito diferente de dizer que bebês precisam da atenção integral e exclusiva de suas mães. Da conclusão científica à recomendação que tem sido propagada por alguns especialistas no Brasil há um salto enorme. Esses profissionais da infância não podem desconsiderar o bem estar das mulheres e os recursos que a sociedade em questão oferece, ao fazer tais recomendações, senão caímos nesse dia a dia sufocante que se torna uma bola de neve: a gente assume o papel da maternagem quase exclusivamente e integralmente, sem apoio financeiro e social do Estado e das instituições de maneira geral, acaba sentindo-se esgotada e insuficiente para suprir as necessidades da criança, apela para ajudas de babás, creches e parentes, e finalmente sente-se culpada e presa nessa culpa. Esse ciclo dificulta demais tanto o desenvolvimento profissional da mãe quanto o estabelecimento de uma rotina tranquila para a criança.

Mas muitas de nós fazemos mais escolhas baseadas nessas recomendações do que naquilo que de fato funciona bem no nosso cotidiano e no nosso projeto de vida. Daí acontece o pior dos cenários, uma mãe culpada por não alcançar um ideal de maternidade com critérios extremamente exigentes, e uma criança sufocada pela situação. Será que isso é mesmo necessário? Por que nos colocamos nessas situações? Como conseguir amenizar nosso dia a dia?

Uma aldeia inteira

bebes dormindo

foto – Elis Alves

Um detalhe que parece esquecido, mas que é fundamental, nesses debates todos, é o bem estar das mães, a curto e longo prazo. Se o desenvolvimento da criança é a prioridade, e o bem estar de sua mãe é relegado a segundo plano, caímos nessa armadilha dos modelos sacrificiais de maternidade. Mas, temos que resgatar o quanto antes a importância desse “detalhe” e pensar claramente quais são os custos para nós, mulheres, não só como mães, mas como profissionais, cidadãs, pessoas com vida social e produtiva. Como amenizar esses custos? No Brasil de hoje, a melhor resposta é: dividindo-os. Os custos devem ser divididos com outras pessoas que podem cuidar diretamente das crianças ou que podem nos apoiar nessa função. Nossos empregadores, quando existem, devem cumprir com sua parcela (no mínimo, aquela que é prevista por lei, que diz respeito às licenças e ao direito a amamentar no local de trabalho). Os homens também devem assumir sua quota de participação e possíveis riscos. Por que eles não podem deixar de fazer hora extra nos empregos para se ocupar igualmente dos filhos? E assim, outras pessoas devem fazer ajustes para arcar com os custos e também usufruir da deliciosa companhia de nossos bebês! Creches, sendo parentais ou não, estão aí para cumprir esse papel. A maior parte delas, em nosso país, é cara e não atende as nossas expectativas de atenção extremamente dedicada a nossos filhos. Porém, elas só passarão ser mais acessíveis e de melhor qualidade quando nós, mães e pais, passarmos a demandar mais de seus serviços, quando pararmos de vê-las como ameaças ao desenvolvimento deles, e vermos o potencial de construir relações coletivas de cuidado – potencial para o desenvolvimento de nossos bebês e para o nosso próprio desenvolvimento.

Na prática, não é fácil abrir mão da maternagem integral, mesmo quando estamos esgotadas e insatisfeitas, porque nos habituamos a ilusão de controle que essa prática nos dá. Permanecer com os olhos quase o tempo todo sobre nossos filhos nos dá certa tranquilidade, mesmo não conseguimos mantê-los sempre abertos… Esse é o mesmo tipo de ilusão que nos faz confiar mais num carro dirigido por nós mesmas do que num avião pilotado por um estranho (ainda que, na realidade, o risco que o primeiro meio de transporte oferece seja muito maior do que o do segundo). As estatísticas mostram que violência contra crianças é muito mais recorrente em ambientes domésticos do que em creches, por exemplo. E há outros dados da ciência que corroboram o potencial das creches, como as pesquisas sobre leucemias na infância, por exemplo. De acordo com a pesquisadora Maria do Socorro Pombo de Oliveira do Instituto Nacional do Câncer, crianças pouco expostas à infecções nos dois primeiros anos de idade tem mais risco de contrair leucemia. Na mesma linha, alguns pesquisadores tem defendido que frequentar creches desde bebê é um dos hábitos mais importantes para o desenvolvimento de sistemas imunológicos fortes e eficazes contra doenças como essa. Isso não significa que a melhor forma de cuidar de nossos filhos é matriculando-os logo em creches, mas significa que essa escolha também tem seus benefícios.

Mãe empreendedora

julia

Foto – Elis Alves

Quanto ao trabalho, não há nada de errado em adotarmos o empreendedorismo como ferramenta para continuarmos trabalhando remuneradamente e ficarmos mais perto de nossos filhos, desde que essa estratégia seja viável em nosso contexto de vida. Se hoje me preguntarem: ser mãe empreendedora é o melhor para mim e para meu filho?

Honestamente, não posso dizer que sim. Para algumas mães, com um determinado espírito de luta e por serem um tanto desbravadoras, talvez. Mas essa, como qualquer outra generalização, é perigosa. Cria um clima de que tomando esse ou aquele caminho todos seus problemas acabarão. Mas, não é assim. Ser mãe empreendedora pode sim fazer mal para seus filhos e sua maternidade, porque a balança precisa ser cuidada a todo instante, e nada pior do que a necessidade batendo a porta para focar apenas em um lado. Ser mãe empreendedora pode sim fazer mal ao seu casamento, porque nem todos os homens estão preparados para entender trabalho em home office, divisão de tarefas, colaboração mútua.

Precisamos admitir também que pouquíssimas mulheres foram preparadas para assumir um negócio, gerenciar e promover seu crescimento. Não temos essa educação empreendedora nas escolas, muito menos em nossas famílias. E o desafio de buscar informação e aperfeiçoamento é muito maior quando se é mãe, principalmente de criança pequena. Corre-se o risco de trocar um problema pelo outro. Você tem tempo com seu filho, mas precisa usar esse tempo para encontrar uma forma de gerar renda.

É uma visão inocente achar que é fácil equilibrar empreendedorismo e família, porque ambos exigem muito da mulher e podem ser conflitantes em algumas situações. Se você não tiver planejamento, estrutura financeira, redes de apoio, conhecimento e aperfeiçoamento constante, empreendedorismo materno não é a solução.  E mesmo com todo esse pacote, ser mãe empreendedora na prática ainda será um desafio gigante.

Vamos repetir: toda ideia sobre maternidade, e principalmente sobre modelos de maternidade, pode e deve ser colocada à prova. E qual é a melhor prova do que nosso próprio cotidiano?

Você concorda conosco? Dê sua opinião! 

Grace Barbosa, editora-chefe do Mãezíssima e Carolina Pomboeditora do blog Com a cabeça fora d’água e autora do livro A mãe e o tempo – ensaio da maternidade transitória, publicado pela editora Memória Visual.

 

posts relacionados

15 Comments

  • Nossa!!!! Que texto reflexivo. Muito grata a vocês.
    eu me deparo com diversas situações que vocês apontaram: criação com apego, tempo integral com filhos, empreendedorismo. Estou envolvido dos pés a cabeça com eles, mas tento tratar tudo com discernimento e intuição, leituras e compartilhar.
    Realmente ser mães questionadora faz nossa cabeça questionar ainda mais se este caminho que seguimos é o mais correto, se estamos ou não fazendo mal aos nossos filhos, a nós mesmas… nos fazendo pensar e refletir mais ainda.
    É complexo, mas eu vejo com bom também. Nos faz sair do mundo de idealizações, de conto de fadas… e nos traz para a busca da maternidade consciente… gratidão mais uma vez.

  • Amei!

  • Meninas, texto lindo, mas essa letra de vcs é muito difícil de ler! fraquinha! pessoa astigmática como eu sofre pra ler, tive que forçar a vista! bjos!

  • Excelente texto!! Gostaria que mais gente pensasse assim!!

  • Olá…sou mãe de três filhos, com cada um percorri um caminho de maternidade, a primeira amamentei em livre demanda, so leite materno, toda a coisa socialmente aceita, a saída dela do peito foi um trauma para ambas, o segundo tive mastite, uma forma inconsciente creio eu de não ter que passar por tudo que passei novamente, minha primeira filha foi dormir uma noite toda depois de dois anos, era dramático. Continuando o segundo foi para mamadeira com três meses e um ano para creche em período integral, engravidei do terceiro totalmente fora de plano, mas confiei, senti todos os medos na pele e mesmo ficando em casa ele vai para a creche, com quatro meses foi fazer adaptação pois fiz um curso, o que me empurrou para essa decisão e agora ele com oito meses ele continua na creche e eu não trabalho, estou escrevendo um projeto, a todo tempo me sinto culpada. Enfim minha escolha e diferente de todos e claro que todos me julgam ser uma carrasca, até eu.

  • Porque tudo tem seus lados extremos e entre eles um caminho contendo milhões de escolhas e nuances. Porque acredito que deve-se ver, saber de tudo, pensar e questionar sempre. Pacotes e verdades prontas não me agradam. Prefiro fazer sempre meu pacote de personalização de ideias baseado nas diversidades. Ótimo texto para colaborar com isso. Obrigada Grace.

  • Esse texto sana toda a minha angústia de quem abandonou um pouco os grupos de mães por não suportar mais comportamento competitivo tipo” quem se sacrifica mais para cumprir todas as neonormatizações acerca do maternar”.
    Mães desesperadas, pedindo orientação por “não aguentar mais as mamadas noturnas por dois anos” e serem incentivadas a entoarem o mantra “vai passar”, numa quase prática ascética. Vi o conceito de “mãe suficientemente boa” ser distorcido numa busca insana por cumpri padrões de apego. “Durma na mesma cama, amamente até o bebê não querer mais, use sling, dê colo, acolha, não terceirize os cuidados com seu filho”. Quase sempre muita orientação para pouca pergunta, ou seja, nada se sabia sobre o universo singular da mãe que perguntava. Gratidão e desculpa pelo desabafo.

    • Finalmente um texto fora do “mundo azul”.
      Seu comentário resume tudo que penso.
      Bjo

  • A reflexão é boa mesmo mas o texto não é nada neutro… Parece-me que a intenção da autora era o “não julgamento”. No entanto achei bem tendencioso…
    Na minha opinião, a Maternagem pode estar relacionada ao contexto social mas principalmente ao o que cada mãe SENTE que é o certo a fazer e ao que está ao seu ALCANCE (por exemplo rede de apoio e contexto financeiro da família). Muito mais que teorias de “certo ou errado”, acho que cada mulher é diferente, cada família, cada filh@, trabalho, etc também são.
    O texto tenta passar a ideia de que não está generalizando nada mas está também implícita sua opinião.

  • Olá, Grace e Carolina! Ótimo texto, corajoso e questionador. Pessoalmente, eu sou uma admiradora das pesquisas que seguem a criação com apego. Mas também vejo o problema com a descontextualização de seus preceitos. Se pensarmos que o bebê foi feito para ficar com a mãe, não podemos esquecer que a mãe teria que estar em uma sociedade que a apoie incondicionalmente na sua condição de mãe. Quando dizemos que o “socialmente aceito” é o que dizem as teorias do apego, esquecemos que isso circula numa parcela muito pequena da população. A nossa sociedade está estruturada para a separação, e o socialmente aceito é o que dita as regras do trabalho capitalista: licença maternidade de quatro meses, desmame precoce, flexibilidade quase nula para mães, pouquíssimo envolvimento do pai, famílias dispersas, senso de comunidade zero. Os problemas são infinitos…é mesmo muito difícil exigir de uma mulher que ela amamente em livre demanda a noite toda quando tem que estar linda e eficiente às 8 horas da manhã no escritório. Empreendedorismo pode mesmo ser uma grande armadilha, como vocês disseram, porque a falta de apoio e estrutura continua lá do mesmo jeito. Outras sociedades que tentam se estruturar ao redor dos preceitos da relação mãe-filho conseguem amenizar esses dramas sem sobrecarregar a mãe, vide os países escandinavos, onde além da licença maternidade-paternidade extensa, há outros tipos de benefícios oferecidos a casais com filhos pequenos. Porque lá, as mulheres estavam desistindo de ser mães…Não, não é fácil mesmo…Os ombros das mães estão sobrecarregados, seja de um lado ou de outro. Enquanto a sociedade -políticas públicas, empregadores, vizinhos, maridos e tias em geral – não se conscientizarem de que a reforma tem que ser muito maior e profunda, não vale a pena ficarmos julgando umas às outras pelas decisões possíveis. Ainda bem que temos sites como o Mãezíssima e mais espaços para trazer à tona esses problemas que antes não contávamos pra ninguém 🙂

  • Puxa, que legal encontrar esse texto no dia de hoje, quando eu escrevia sobre uma outra idéia tão boa que acaba pesando sobre nos mulheres como uma obrigação que é essa de um parto normal humanizado de um certo jeito e que tem se tornado uma via unica de fazer as coisas. Tenho uma grande amiga que sabiamente me disse uma vez que, se não esta bem para um dos dois – mãe ou filho – então é sinal de que não esta funcionando. E isso vale para tantas coisas no universo da maternidade. Deixamo-nos de lado muito facilmente, nos mães. Um abraço e parabéns pelo texto, Alessandra.

    http://barrigadebebe.com/2015/11/02/a-espetacularizacao-do-nascimento/

  • Achei bem oportuna a matéria. Sou mãe de 3 e cometi meus erros com certeza, na época não me sentia culpada, achava que estava fazendo o que era certo ou o que melhor podia fazer. Hoje, às vezes me questiono, mas naquele momento não havia mesmo outra saída. A cultura, a crise no país e tantos apelos para romper os padrões que nos libertasse do paradigma da mulher que cuida da casa e da família, para ser uma mulher independente, profissional competitiva etc.. Enfim, amamentei os três até o 6o. mês de vida, não foram para creche, tínhamos empregadas para cuida-los e quando a crise apertou tivemos todos que nos adaptar sem empregada, eles já eram maiores. Hoje, já adultos dizem que sofreram nossos constantes atrasos para busca-los na escola ou quando não podíamos comparecer as festividades. Nunca escondemos nada deles, sempre souberam das dificuldades porque passávamos e cedo também compartilharam dos nossos trabalhos. Acredito não ter errado tanto assim, dado que os três são pessoas independentes, comprometidas, conscientes do papel de cidadãos e felizes. Com tudo isso, quero na realidade ratificar a questão debatida ou proposta no texto. A sua família não é igual a do outro portanto sua forma de atuar e gerir serão diferentes, de acordo com suas possibilidades, principalmente emocionais. Se há uma crítica a fazer é que percebo em algumas mães que no afã de ser perfeita para seus filhos e oferecer a eles um mundo mais próximo da perfeição em que acreditam , tratam-nos com tanta insegurança e até cerimônia ao educa-los que os faz também inseguros, confusos e por vezes tiranos por sentirem que o mundo gira em torno deles e de suas necessidades. Não é fácil….ser mulher…profissional,,,..,amante. e mãe. Bom lembrar que logo, logo os filhos se vão. Vão construir suas pontes, novos horizontes. E você? Pensou nisso?

    • Oi Haidê, que bacana sua experiência. Obrigada por compartilhar. Você está certa, cada mãe sabe as necessidades que tem com sua família. Mas hoje, na sociedade que vivemos, acho muito difícil fugir da culpa. Como você mesma diz, não é fácil ser mulher, profissional, amante e mãe!

      Super beijos

  • O mais importante ao ser mãe é amar, amar muito nossos filhotes, o resto a gente ajusta do jeito que é possível.
    Meu primeiro filho eu coloque na creche com 7 meses
    Eu e meu marido, que tirou férias para cuidar do bebê quando a minha licença terminou, conseguimos nos revesar para atrasar o máximo possível a sua saída de casa para a creche. Ele inevitavelmente pegou todas as “its” possíveis, conjuntivite, otite etc etc etc. Chegando a tomar 5 antibióticos diferentes no período de um semestre. Mas sinceramente eu não me culpo, pq eu fiz o que foi possível no meu contexto de vida e além disso fiz tudo com muito amor e carinho com o meu filho. (Sinceramente eu discordo do texto, onde ele diz que as contaminações ajudam na imunidade do meu filho. Só eu meu marido e meu filho sabemos do sofrimento que foi cada doença, da angústia de cada ida ao pronto socorro e da dificuldade de ter ele internado no hospital).
    Se eu faria diferente? Acho que não, penso que sempre fiz o melhor para o meu filho.
    Meu segundo filho tem 1 mês de vida e vou contratar uma empregada para cuidar dele em casa enquanto ele for muito bebê. Por diversos motivos como dinheiro (creche é uma fortuna), esperança que ele adoeca menos e praticidade (a dinâmica de levar duas crianças para creche todo dia não é mole).
    Diversas vezes eu tenho pensado se vale a pena tantos gastos para cuidarem dos meus filhos, sendo isso algo que eu posso fazer. Mas sendo muito sincera, eu não aguento a vida doméstica exclusiva. O eterno, limpar, lavar passar e cozinhar, trabalhando 15 horas por dia sem receber nenhum reconhecimento por isso, não é para mim, não tenho esse talento. (Adimiro muito quem tem essa paciência).
    Enfim, criar os nossos filhos é difícil, mas é recompensador receber o seu amor. Cabe a nós escolhermos pais para os nossos filhos que sejam participativos, afinal a gente que escolhe com quem vai casar. E criar nossos filhoas para que eles que saibam valorizar, entender e ajudar o outro, seja

    • Olá Terezinha, obrigada pelo seu depoimento honesto e sincero. Esse “honestamente não faria diferente porque sei qual era a minha situação” – faz toda a diferença. Quando a gente sabe o que está fazendo e o por quê de estar fazendo, fica mais fácil encarar a vida e as consequencias das nossas ações.
      Desejo toda felicidade do mundo para você e sua família! Que você continue fazendo escolhas conscientes.