Ser mãe: do gerar ao adotar

Passamos tanto tempo desejando evitar uma gravidez fora de hora que nunca imaginamos que a trajetória até ser mãe pode ser longa e cheia de desafios.

Ser mãe: do gerar ao adotar
Especial,  Ser mãe
17 de julho de 2015

Longa trajetória essa de se tornar mãe! Não falo apenas pelo tempo em que se decide ou planeja ter um filho ou pelo próprio tempo da gravidez, mas também pelo tempo de quem tenta, tenta, tenta e nem sempre consegue uma gestação natural. Até o processo de decisão em adotar. 

As mulheres, em geral, quando pensam em ter filhos nunca imaginam que terão alguma dificuldade para engravidar e ser mãe. Passam tanto tempo preocupadas em evitar uma gravidez fora de hora que, quando enfim decidem, as vezes são surpreendida com a não ocorrência da mesma. A verdade é que muitas mulheres nunca viverão esse problema, mas várias outras encontrarão alguma dificuldade para engravidar.

expectativa

Imagem: sxc.hu

Assim se inicia uma longa e muitas vezes sofrida trajetória para buscar meios e recursos para viabilizar seu grande desejo: o de ser mãe. Esse é um período de muita ansiedade e angústia, onde cada mês/ ciclo renova-se possibilidades, esperanças, mas que ao mesmo tempo também traz muitos medos, inseguranças e frustrações quando não ocorre a tão sonhada fecundação.

O processo é longo, que vai desde momento que o casal busca ajuda para entender o que está acontecendo, passando para a decisão de um tratamento de fertilização e todas suas etapas e possibilidades, até o momento que, para algumas mulheres encerram-se todas suas chances de uma gravidez. Um período longo e doloroso para algumas mulheres, tanto emocionalmente, quanto fisicamente.

O tratamento de fertilização envolve muitos procedimentos e ingestão de hormônio e medicamentos, gerando uma explosão de sensações e reações corporais nem sempre fáceis de lidar. Paralelo a isso o aspecto emocional também encontra-se em grande ebulição, trazendo questões e medos que contribuem para um momento de tensão e preocupações.

Alívio somente quando ultrapassado o tratamento,  a gravidez se dá e tudo acaba bem. Felicidade para os pais e alegria para a família em geral. Entretanto para algumas mulheres esse tempo  não chegará.  Nesse momento se defrontam com a impossibilidade, com o limite que se impõe. Momento de muita dor, desespero, frustração e revolta para algumas.

adoção

Igor Santtos Fotografia

Quando o desejo de ser mãe é grande, apensar das impossibilidades, nova opção se abre, embora nem sempre seja um caminho fácil de trilhar. A adoção se torna uma possibilidade para algumas mulheres. Entretanto essa é uma etapa que precisa ser elaborada e acordada entre o casal para que se possa prosseguir neste desejo de se ter um filho, não mais o idealizado, mas aquele que vem para tornar possível um pai e uma mãe.

Ainda existe muita resistência para a adoção e pensar nessa possibilidade nem sempre é um processo fácil ou rápido para o casal. Exige maturidade, respeito, muito desejo e cumplicidade. Mais uma vez um longo tempo separa esse filho de seus pais, afinal o processo de adoção também é demorado e com muitas etapas e exigências.

Ao acompanhar o desenrolar dessas histórias o que vejo são mulheres que trazem o desejo da maternidade no mais alto grau de prioridade e que sonham como todas nós pegar seu filho no colo e vivenciar esse forte vínculo de amor.

Longo caminho esse de até ser mãe! Mas um percurso que vale a pena ser vivido por todas aquelas que  assim desejarem, não importando qual o caminho que precisarão percorrer para tal.

Vânia Vidal de Oliva ─ Psicóloga Clínica

Vânia Vidal de Oliva - Autor MãezíssimaPsicóloga Clínica com 28 anos de experiência no atendimento de adolescentes, adultos e na orientação familiar. Atua hoje na Clinica Casa do Crescer na cidade de Curitiba. Colunista do site  Mãezíssima e do Blog da Clínica Base –BH.

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