Solidão e isolamento do meu parto

Solidão e isolamento do meu parto
Ser mãe
13 de agosto de 2013

Sabe toda aquela história linda de nascimento? Ela existe e é verdade. A gente chora quando vê o rostinho do nosso bebê pela primeira vez, dá uma vontade de agarrar e não soltar mais. A gente sente uma necessidade infinita de ficar olhando, cuidando e acariciando. Meu parto teve tudo isso, mas também teve outra história, nem tão bonita assim.  

Meu parto foi uma cesárea, na 40º semana, porque não aguentei psicologicamente continuar esperando meu corpo e minha bebê mostrarem seu tempo. Hoje, 1 ano e 4 meses depois, começo a ter clareza de tudo que aconteceu e até arrisco alguns porquês.

Moro longe da minha família, que é do interior do Paraná, e também da família do meu marido, que é do Rio Grande do Sul. Mesmo assim eu sonhava com o momento do nascimento, com minha mãe por perto, com os sorrisos e carinho de todos a minha volta. Mas a descoberta de um câncer severo em minha mãe mudou toda história. Quando eu estava no 5º mês de gestação ela passou por uma cirurgia e começou um processo muito doloroso de quimioterapia. Acho que só comecei a me conscientizar que não a teria no momento do parto lá pelo 8º, 9º mês da gestação. Não foi tempo suficiente para me preparar.

Na época eu não contava com um grupo de apoio, e por tudo que vivi e aprendi, sei da importância fundamental que é essa rede em torno da mãe gestante. Era apenas eu e meu marido vivendo todos os medos e monstros do primeiro filho. Foi nessa hora que comecei a fraquejar e aceitar o que era mais aceitado como seguro, tanto pelos amigos, como pela família de longe, como por tudo que eu tinha aprendido até ali.

O dia foi marcado, a hora, a maternidade, tudo planejado. Passei aquela noite em claro e antes das 8h da manhã eu já estava com a Julia fora do meu corpo. E com aquela sensação que depois fui descobrir que era necessidade de ser forte.

Sobre o procedimento médico, foi uma experiência ruim. Tive reação à anestesia e por isso vomitei na mesa do parto. Minha pressão caiu muito e eu tremia sem controle. Meu marido ficou tão assustado que perdeu o momento que a Julia foi tirada do meu corpo. E lembro bem da solidão da sala de pós parto, silenciosa, fria, isolada.

Depois disso eu só me preocupava em amamentar. Graças a Deus consegui amamentar logo no primeiro dia. Não sem tentativas frustradas e muitas vezes chamando a enfermeira para me ajudar.

A sensação que mais me marcou foi a solidão de todo processo. A falta da minha mãe e da família apoiando. A falta de experiência. O choro preso na garganta.

Eu não sei se faria alguma coisa diferente estando nas mesmas circunstâncias, mas se tiver a chance novamente, sei ao menos por onde tentar.

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