Tristeza materna: você já ouviu falar do baby blues?

Conversamos com a psicóloga Ana Amália Gandour sobre o baby blues. Como identificar, como diferenciar da depressão pós parto e como superar essa tristeza materna tão frequente entre as mulheres.

Tristeza materna: você já ouviu falar do baby blues?
Especial,  Ser mãe
14 de setembro de 2017

Nove meses de espera, a chegada mais que esperada, um bebê lindo e com saúde nos braços, tudo perfeito… Como então explicar a tristeza que tantas mulheres sentem no início do pós parto? Você pode estar vivendo o baby blues, um misto de tristeza e exaustão muito comum no pós parto . Para entender melhor essa fase, conversamos com a psicóloga e  Ana Amália Gandour.

Para começar, precisamos falar que o baby blues, ou a tristeza materna, é muito mais frequente do que imaginamos, ele atinge até 80% as mães. É preciso conhecer seus sintomas e saber diferenciar da depressão pós-parto. Confira a conversa que tivemos e tire suas dúvidas. Ana foi muito generosa, dividindo com a gente uma lista de dicas para lidar com o baby blues.

mãos família

 

Existe um fator desencadeante do baby blues?

Ana: A mulher passa a ser uma bomba de hormônio após o parto. Isso por si só explica a modulação de humor. Agora some isso a pouco sono, mudança de rotina e questões emocionais como: sentimentos de culpa, de impotência incapacidade, insegurança, projeção da relação com os pais…

Como diferenciar melancolia e depressão pós-parto?

Ana: Essa tristeza inicial no pós-parto difere da depressão (DPP) por causa da intensidade dos sintomas e tempo de duração.  A DPP acomete entre 10% e 20% das mulheres, podendo começar na primeira semana após o parto e perdurar até dois anos. Alguns sintomas presentes são: irritabilidade, mudanças bruscas de humor, indisposição, doenças psicossomáticas, tristeza profunda, desinteresse pelas atividades do dia-a-dia, sensação de incapacidade de cuidar do bebê e desinteresse por ele, chegando ao extremo de pensamento suicida e homicida em relação ao bebê.

Enfim, o que diferencia a DPP da Tristeza Materna (baby blues) o que ele tem de comprometedor afetando a funcionalidade da mãe e pondo em perigo seu bem-estar e o do bebê. A DPP é fator de risco para a saúde mental do bebê, já a tristeza materna é algo advindo do simples fato de se lidar com a novidade do ser mãe (mesmo que já se tenha tido outros filhos. Cada experiência é única). A maternidade é vista de forma idealizada em nossa sociedade e para mãe é difícil lidar com a ambivalência de sentimentos. Contudo, toda relação afetiva é ambivalente. Ora se ama, ora se odeia. Ora se quer estar perto, ora longe. O baby blues atinge até 80% as mulheres, se inicia até a primeira semana pós-parto e dura mais ou menos um mês. “O processo de transformação psíquica que uma mulher precisa passar no ciclo gravídico-puerperal envolve três grandes momentos que englobam pequenas etapas vividas de forma diferentes para cada sujeito. A transformação da filha em mãe, a transformação da autoimagem corporal e a relação entre a sexualidade e a maternidade. Cada um destes temas requer uma reordenação psíquica que incide sobre as vicissitudes de cada mulher”.  (Vera Iaconelli – http://institutogerar.com.br/wp-content/uploads/2017/03/dpp-psicose-pos-parto-e-tristeza-materna.pdf)

Quando pedir ajuda?

Ana: Desde o primeiro momento em que a mãe se sabe grávida deve-se buscar uma rede de apoio. Família, instituições, profissionais e, principalmente, outras mães com quem possa compartilhar suas angústias e dores. É importante que essa mulher seja ouvida em seu sofrimento. Se essa tristeza aumentar trazendo piora dos sintomas e atrapalhando a funcionalidade nos cuidados com o bebê, deve-se buscar ajuda profissional (psicólogo e psiquiatra).

Como sobreviver ao baby blues

  1. Compartilhe suas angustias com outras mães
  2. Viva um dia por vez
  3. Entenda que você está aprendendo e por mais informação que tenha adquirido, a realidade de cuidar de um bebê é sempre nova e por vezes assustadora.
  4. Peça ajuda a sua família quando se sentir sobrecarregada.
  5. Não queira ser a mulher maravilha.
  6. Entenda a dimensão desse momento e deixe que a tristeza trabalhe a seu favor te tornando sensível ás necessidades do seu bebê.
  7. Ser mãe não é um processo instantâneo. Você passará a vida toda do seu filho aprendendo a exercer a maternidade.
  8. Não idealize a maternidade. Não tem nada maravilhoso em acordar de madrugada, ficar suja de leite, ter que escolher entre tomar banho ou comer. A vida não é uma propaganda de margarina.
  9. Seu bebê recém-nascido, a torna uma mãe recém-nascida também. Se dê a chance de aprender em meio aos acertos e erros. Filhos não vêm com manual de instrução.
  10. Prepare-se para cuidar de seu bebê. O mais importante não são as fotos, o quartinho, a placa da porta, o tipo de parto ou o aleitamento. O mais importante é você e o bebê, esse outro, que precisará de amor e cuidado.

Ana Amália Gandour é psicóloga clínica e atende em Curitiba. Para falar com ela, ligue: 41 98829-7280

 

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1 Comment

  • Adorei o artigo. Vocês são a combinação perfeita para escrever temas tão relevantes para nós mães. Sucesso!

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